24 de mai de 2015

Monomania (Clarice Falcão)


Já te fiz muita canção
São quatro, ou cinco, ou seis, ou mais
Eu sei demais
Que tá demais

Eu chego com um violão
Você só tá querendo paz
Você desvia pra cozinha
E eu vou cantando atrás

A ponto de partir (Ana Cristina Cesar)

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.


Poetisa
Ana Cristina Cesar


Leia outros poemas de Ana Cristina Cesar ...


Tu Queres Sono: Despe-te dos Ruídos

​Contagem regressiva

21 de mai de 2015

Vita nuova (Olavo Bilac)

Vita Nouva - Olavo Bilac
The Kiss, por Gustav Klimt, 1907-1908

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? Que importa,

Se ainda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!


Poema de Olavo Bilac extraído de Alma Inquieta disponível para download em Dominio Publico (Alma Inquieta).

Das utopias (Mário Quintana)

“se as coisas são inatingíveis...ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas”

Mário Quintana, em Das utopias (1951)

Caricatura de Mario Quintana
Mario Quintana, por  Edgar Vasques


Mais poemas de Mário Quintana ..


O poeta

Eu ouço a música

Poema

Bilhete

O pobre Poema

Se eu fosse um padre

O silêncio

12 de mai de 2015

DESAFIO : Mulheres na Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é a instituição cultural máxima para a divulgação da língua e da cultura brasileira. Ela foi fundada em 1897 por iniciativa de homens geniais, como o escritor Machado de Assis. Infelizmente até hoje, mesmo num país cuja maioria da população é feminina, cujas mulheres têm mais educação formal que os homens e são leitoras mais vorazes, a ABL continua um privilégio quase exclusivamente masculino.

A ABL é constituída por 40 membros, chamados imortais, e 10 correspondentes estrangeiros. Ao todo, 288 intelectuais já foram consagrados como imortais, desses apenas 8 eram mulheres, ou seja, cerca de 3% dos membros, num país em que elas são 51,3% da população.

Essas escritoras são:

1. Ana Maria Machado;
2. Dinah Silveira de Queiroz;
3. Nélida Piñon;
4. Rachel de Queiroz (apresar do mesmo sobrenome não é parente da Dinah);
5. Zélia Gattai;
6. Lygia Fagundes Telles;
7. Rosiska Darcy de Oliveira;
8. Cleonice Bernardinelli.

Sim, se você sentiu falta de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Hilda Hilts e algumas outras grandes escritoras, por favor, compartilhe com a gente.

Em homenagem a estas heroínas, nós do Blog Literatura Brasileira e do Blog 500 Livros estamos lançando o Desafio Mulheres da ABL, que é ler pelo menos um livro de cada escritora e fazer uma postagem sobre ela e sua obra.

Aceita o desafio também?

Autor: Isotilia Melo


Escritoras, Mulheres na ABL
1. Ana M. Machado 2. Cleonice Bernardinelli3. Dinah S. de Queiroz; 4. Lygia Fagundes Telles; 5. Nélida Piñon ; 6. Rachel de Queiroz; 7. Rosiska Darcy de Oliveira; 8. Zélia Gattai.

6 de mai de 2015

“— Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. “— Coragem para a luta.”

O Ateneu é um romance do escritor brasileiro Raul Pompeia (1863-1895). É uma prosa poética, contada em primeira pessoa pelo menino Sérgio, sobre sua a traumática formação dentro de um internato privado no Rio de Janeiro (o Ateneu) dirigido pelo despótico professor Aristarco.

A sociedade da época reprimia afetividade e ternura do homens ( não tão distante dos dias atuais) de forma que as relações entre homens e mulheres e mesmo as relações entre homens era bastante prejudicada. Se de algum modo o homem vivenciar ternura por outro homem, o mesmo será então tachado de homossexual, ''mariquinhas''. O que, na época, era uma desonra pública.

Em o Ateneu, Sérgio descreve o amigo Egbert com bastante afetividade, de uma maneira fraternal. Como ilustrado no seguinte trecho do livro:

❝Egbert merecia-me ternuras de irmão mais velho. Tinha o rosto irregular, parecia-me formoso. De origem inglesa, tinha os cabelos castanhos entremeados de louro, uma alteração exótica na pronúncia, olhos azuis de estrias cinzentas, oblíquos, pálpebras negligentes, quase a fechar, que se rasgavam, entretanto, a momentos de conversa, em desenho gracioso e largo. Vizinhos ao dormitório, eu, deitado, esperava que ele dormisse para vê-lo dormir e acordava mais cedo para vê-lo acordar. Tudo que nos pertencia, era comum. Eu por mim positivamente adorava-o e o julgava perfeito. Era elegante, destro, trabalhador, generoso. Eu admirava-o, desde o coração, até a cor da pele e à correção das formas.❞


Raul Pompeia viu sua obra voltar-se contra ele mesmo pelas suspeitas de sua sexualidade e suicidou-se com um tiro no coração em 1895 durante uma polêmica em jornais. Deixou um bilhete com a seguinte nota de despedidas.