20 de abr de 2016

Yoga

Yoga vem de uma palavra em sânscrito (yuj) que significa unir. A essência do Yoga busca a união do indivíduo (ser) ao Ser (seu potencial pleno de autorrealização, que pode ter muitos nomes conforme religião e filosofia).

Existem diversas escolas de Yoga no mundo. A primeira pessoa a escrever sobre práticas ióguicas foi Patanjali, entre 200 a.C. e 400 d.C..

O Yoga está muito associado à imagem de posturas físicas complexas (chamadas asanas). Mas, na verdade, os asanas foram desenvolvidos porque os monges ficavam muito tempo meditando e precisavam alongar o corpo. Assim eles alongavam o corpo para se concentrar por mais horas de meditação. De certa forma, eles trouxeram a meditação para o corpo, por meio do desenvolvimento das posturas.


Yoga cura doenças? Yoga emagrece? Yoga é só para relaxar?

O Yoga tem várias frentes. E envolve vários aspectos da vida de um indivíduo. O professor Hermógenes, grande mestre de Yoga brasileiro, divide-as em cinco:

1. Frente Filosófica: envolve o estudo de textos filosóficos de alta qualidade (tradicionais ou não) e a prática do que é ensinado nesses estudos. Todos os sistemas filosóficos que concorrem para ordenar as ideias, desenvolver a lógica e estabelecer disciplina nas ações constituem formas de psicoterapia de real valor;

2. Frente Psíquica: um tratamento psíquico é aquele que visa a tornar sã a mente. O yoguin (praticante de Yoga) aprende a purificar, aquietar e iluminar sua mente, libertando-se das enfermidades da personalidade: ignorância (avidya), egoísmo (asmita), aversão (dvesha), concupiscência (raga) e medo de morrer (abhinavesha). O praticante realmente pode se curar de doenças como depressão, ansiedade, entre outras, com a ajuda da prática regular de Yoga;

3. Frente Fisioterapêutica: a mente influencia o corpo e o corpo influencia a mente. O Yoga trabalha o corpo e, com isso, altera e ativa o funcionamento de glândulas e hormônios. Esse não é objetivo exclusivo da prática, mas Yoga pode, sim, emagrecer, caso a obesidade se deva a distúrbios hormonais e psicológicos e a prática seja voltada para regularizar essas questões. Existem vários tipos de práticas para diferentes tipos de pessoas. O Yoga pode não ser relaxante. Ao contrário, pode ser ativo e fortificante se estiver voltado para pessoas que precisam desse tipo de energia, como, por exemplo, pessoas depressivas;

4. Frente Moral: Yoga tem um código moral profundo e libertador. O praticante não é obrigado a segui-lo por nenhum tipo de coação ou recompensa. Conforme a regularidade da prática de da compreensão filosófica, o yoguin adota seus princípios morais porque entende claramente que esse é o caminho de menor sofrimento;

5. Frente dietética: Yoga tem uma dieta sofisticada, que prioriza alimentos naturais, adequados a cada indivíduo e balanceada. A dieta vegetariana é incentivada. Mas ela é vista como um processo natural que o indivíduo pode (ou não) adotar, conforme sua evolução na prática.

Encerro este artigo com uma citação do livro Yoga para Nervosos – Aprenda a Administrar o seus Estresse do professor Hermógenes.

O mundo que nos rodeia só é realidade na medida em que nos identificamos com ele, pois nos impõe dor ou prazer, pesar ou alegria, confiança ou medo... Desde que conheçamos o que é realmente o mundo, começaremos a sentir a equanimidade do espectador de mentalidade evoluída, sem sofrer nem gozar, sem tentar fugir ou buscar, sem medo, sem ódio e sem tédio.

Busque o local de prática mais próximo de você! Experimente! Seja ousado (a)! Yoga é ideal para homens e mulheres. Se não encontrar nenhum local, busque conhecer mais, por meio de leituras como o professor Hermógenes, e pratique sozinho (a).



Texto de Isotília Melo  do Blog 500 Livros.


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ParteII: Visconde de Taunay um escritor feminista!

Parte III: Visconde de Taunay, um escritor feminista!

2 de out de 2015

A Escravidão Branca no Brasil

Escravizar significa “reduzir a condição de escravo; subjugar, sujeitar.”. É importante ressaltar dois pontos nesta definição:

1. As palavras “escravo” e “slave” (em inglês) têm o mesmo significado e a mesma origem. Ambas vieram de “eslavo”, povo europeu branco de olhos claros, que foi escravizado várias vezes. Ou seja, a escravidão não é restrita a uma única etnia ou cor de pele;

2. A definição de “escravizar” é envolver “subjugar” e “sujeitar”, mas não necessariamente envolve só violência física. As maneiras para reduzir alguém à condição de escravo podem ser muitas e envolver uma combinação de fatores (psicológico, financeiro, social, etc.).

Gostamos de nos iludir pensando que escravidão é apenas um fato histórico. Mas ela continua forte até hoje. Talvez até mais forte que no passado. Para ver a face escravidão moderna em vários lugares do globo, assistam a palestra tocante da fotógrafa Lisa Kristine.



Jovens Polacas – A Escravidão Branca no Brasil

Para descobrir outra face da escravidão no Brasil, destaca-se o livro “Jovens Polacas – Da miséria na Europa à prostituição no Brasil” da escritora brasileira Esther Largman.


11 de set de 2015

O Nosso Livro (Florbela Espanca)

Poetisa portuguesa Florbela Espanca por Botelho.


Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós os dois!..."

Florbela Espanca (1894 — 1930) foi uma grande poetisa portuguesa. Ao longo de seus breves 36 anos de vida, escreveu poesia, contos, um diário e epístolas; traduziu vários romances e colaborou em revistas e jornais.

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Fanatismo (Florbela Espanca)

Livros de Florbela Espanca

4 de set de 2015

Suave Mari Magno (Machado de Assis)


Baleia in Nelson Pereira dos Santos’ Vidas Secas (1963).

Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.

Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.

Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,

Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer.

Poema extraído de Ocidentais de Machado de Assis, obra disponível para download em Domínio Público(Ocidentais).



Veja também outros poemas de Machado de Assis ...


Soneto

Vai-te

A Carolina

ERRO

26 de ago de 2015

A medida do abismo (Vinicius de Moraes)

Não é o grito
A medida do abismo?
Por isso eu grito
Sempre que cismo
Sobre tua vida
Tão louca e errada...
- Que grito inútil!
- Que imenso nada!



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 A hora íntima 

Dialética

Soneto da Fidelidade 

Aquarela

Soneto da Hora Final