Maria Julieta Drummond de Andrade

As Mulheres na vida dos grandes escritores

Ainda necessitando ser descoberta pelos leitores brasileiros, Maria Julieta Drummond de Andrade era escritora e filha do poeta Carlos Drummond de Andrade. Ela nasceu em Belo Horizonte, em 1928, e faleceu no Rio de Janeiro, em 1987, morou em diversos países, teve uma atuação profissional na diplomacia e no ensino, que possibilitou a divulgação da cultura brasileira mundo a fora.

Segundo seu filho, várias vezes, seu avô Carlos Drummond disse: “A obra da Maria Julieta é mais importante que a minha.”. Justamente por ela ajudar a divulgar o Brasil globalmente. Além disso, ao sair de Buenos Aires (depois de décadas exilada naquele país), Maria Julieta escreveu a seguinte citação latina: “Fiz o que pude, façam melhor os que puderem”. Ela era uma mulher corajosa, de frases fortes e de atuação destemida em vários campos.

A Busca (Maria Julieta )

Carlos Drummond se correspondia regularmente com a filha. Uma vez ela perguntou ao seu filho: “O que é a pior coisa que poderia acontecer com seu avô?”. Em seguida respondeu: “Que eu morra antes dele.”. Infelizmente isso foi o que aconteceu, invertendo a ordem natural.

Gatos e Pombos (Maria Julieta)

Entre as obras da autora, destacam-se, seu primeiro romance A Busca, que ela escreveu aos 16 anos, seu romance da maturidade Gatos e Pombos (Maria Julieta amava gatos e possuía uma gata chamada Greta), Um Buquê de Alcachofras e O Valor da Vida.

Na crítica de Um Buquê de Alcachofras lê-se:
“... há efetivamente aqui muito mais do que habilidade jornalística de que alguns cronistas se servem para recontar o factual, como é comum entre os repórteres que impessoalmente reproduzem os flagrantes de rua. Maria Julieta vai ao cerne, à substância das coisas; é muito visual, certo, mas não deixa nunca de captar o lado oculto dos episódios. Diante de uma prosadora assim, quaisquer comentários que lhe dediquemos ficarão sempre aquém de seu mérito.”
Para saber mais sobre essa mulher extraordinária, vale a pena conferir a entrevista de seu filho no Youtube:



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Maria Carolina e Machado de Assis

As Mulheres na vida de grandes escritores


Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) talvez seja o mais reconhecido e renomado dos escritores brasileiros. Ele era afro-descendente dentro de uma sociedade racista e elitista, mas conseguiu se sobressair com seu talento extraordinário. E também com o apoio de muitas outras pessoas ao longo de toda sua vida. 1 

Entre elas, destaca-se a portuguesa Carolina Augusta Xavier de Novais, sua companheira e esposa por toda vida. Dizem que quando eles se conheceram, foi amor à primeira vista (Quem sabe?). Carolina era uns cinco anos mais velha do que Machado e deveria ter uns 32 na época do noivado.2 Os irmãos de Carolina, Miguel e Adelaíde não concordaram que ela se envolvesse com um “mulato”. Mesmo assim, o casamento aconteceu em 12 de novembro de 1869.

Carolina Augusta em 1890. 



Numa das cartas endereçadas a sua amada, Machado de Assis diz:

“Tu pertences ao pequeno número de mulheres que ainda sabem amar, sentir e pensar.”

De fato, Carolina Augusta, ou “Carola”, como Machado de Assis a chamava, era uma mulher extremamente culta. Provavelmente foi ela quem introduziu Machado de Assis à leitura dos clássicos portugueses, espanhóis (como Dom Quixote, por exemplo) e ingleses. Lembrando que as principais obras de Machado foram todas escritas após o seu casamento: Dom Casmurro (1899), Memórias Póstumas de Brás Cubas (1880) e Quincas Borba (1886). O casal, assim como personagem ficcional Brás Cubas, nunca teve filhos. Mas eles tinham uma cadela, chamada Graziela. No livro Quincas Borba, o personagem também tem um cachorro chamado Quincas Borba e fala da polêmica de se dar um nome de gente para um cão (coincidência?).

A sobrinha-bisneta de Carolina, Ruth Leitão de Carvalho Lima, sua única herdeira, revelou em uma entrevista de 2008 que, frequentemente, a esposa retificava os textos do marido durante a sua ausência. Quando Carola morreu, quatro anos antes de seu marido, Machado de Assis escreveu o seguinte poema:


A Carolina

Querida! Ao pé do leito derradeiro,
em que descansas desta longa vida,
aqui venho e virei, pobre querida,
trazer-te o coração de companheiro.
Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiro
que, a despeito de toda a humana lida,
fez a nossa existência apetecida
e num recanto pôs um mundo inteiro...
Trago-te flores - restos arrancados
da terra que nos viu passar unidos
e ora mortos nos deixa e separados;
que eu, se tenho, nos olhos mal feridos,
pensamentos de vida formulados,
são pensamentos idos e vividos


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BOA SEMANA!

BOAS LEITURAS!

1 Um livro que mostra bem a importância do meio e da comunidade para que algumas pessoas possam se mostrar extraordinárias é Fora de Série –Outliers do escritor canadense Gladwell Malcolm.

2 No livro Quincas Borba de Machado de Assis, escrito entre 1886 e 1991, ou seja, quando ele já era casado, existem duas personagens que desejam se casar tardiamente para os padrões da época. Talvez a construção delas se devesse a experiência da própria esposa.



Mais postagens sobre As Mulheres na vida de grandes escritores:

http://www.literatura-brasileira.com/2018/04/mariajulieta.html

Os Perigos da História Única

“A história única cria estereótipos. E o problema com estereótipos não é que eles sejam mentira, mas sim que são incompletos. Eles fazem de uma história a única história.”

- Chimamanda Ngozi Adichie


Chimamanda Ngozi Adichie é uma proeminente escritora nigeriana. Seu primeiro romance Hibisco Roxo recebeu o Prêmio Commonwealth Writers' como Melhor Primeiro Livro (2005). O seu segundo romance Meio Sol Amarelo, foi vencedor do Orange Prize para ficções (2007). Além de escritora, Adichie também é reconhecida por sua militância  envolvendo questões raciais e de gênero.

Em 2009, ela deu uma palestra ao TED falando como ela encontrou sua autentica voz cultural e nos adverte sobre os perigos de uma única história sobre outra pessoa ou país.




Relembre aqui postagens antigas sobre a escritora:

1. Hibisco Roxo 
http://www.literatura-brasileira.com/2017/08/hibisco-roxo.html

2. Sejamos Todos Feministas 
http://500livros.blogspot.de/2015/04/sejamos-todos-feministas-de-chimamanda.html


Traduzir-se (Ferreira Gullar)



Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

O Enterrado Vivo

É sempre no passado aquele orgasmo,
é sempre no presente aquele duplo,
é sempre no futuro aquele pânico.

É sempre no meu peito aquela garra.
É sempre no meu tédio aquele aceno.
É sempre no meu sono aquela guerra.

É sempre no meu trato o amplo distrato.
Sempre na minha firma a antiga fúria.
Sempre no mesmo engano outro retrato.

É sempre nos meus pulos o limite.
É sempre nos meus lábios a estampilha.
É sempre no meu não aquele trauma.

Sempre no meu amor a noite rompe.
Sempre dentro de mim meu inimigo.
E sempre no meu sempre a mesma ausência.

(Carlos Drummond de Andrade)

Estátua de Drummond no RJ. (Fonte:Wikipedia)