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Mostrando postagens de Abril, 2021

Lygia Fagundes Telles - o desafio continua

Lygia Fagundes Telles morreu no domingo em sua casa em São Paulo, aos 98 anos. Lygia foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1985, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 2005, recebeu, pelo conjunto de suas obras, a consagração máxima para um autor da Língua Portuguesa, o Prêmio Camões. Eu sou uma jogadora. Meu pai era um jogador. Ele jogava com as fichas, eu jogo com as palavras. Eu acho que nós temos de arriscar, o tempo todo, até a morte. Então, arrisco e acho válido. É uma forma de transpor o círculo de giz, a fronteira. Isto, para o escritor, é sempre uma esperança. — Lygia Fagundes Telles [1] Lygia Fagundes Telles em capa da Revista "Cadernos de Literatura Brasileira" Manifesto dos Intelectuais - 1977 Durante a ditadura militar, Lygia Fagundes Telles, junto a outros colegas, liderou a elaboração de um abaixo-assinado de mais de mil signatários contra a censura. Trata

Cancioneiro

Livro Cancioneiro da Editora L&PM Cancioneiro é uma coletânea de poemas de Fernando Pessoa (1888-1935), os poemas reunidos foram originalmente publicados esparsamente em periódicos e organizados por Jane Tutikian. Em vida, Fernando Pessoa publicou apenas cinco livros 1 , um em português — Mensagem (1934) — e os restantes em inglês. No entanto, sua obra é muito extensa, indo muito alem dos livros publicados. Ele publicava regularmente o seu trabalho em revistas e teve vários poemas inéditos publicados postumamente. Ele deixou mais de 25 mil folhas com texto que são espólio à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal. 2 A característica principal da obra de Fernando Pessoa é a tentativa de olhar o mundo de uma forma múltipla, ele foi vários poetas ao mesmo tempo, ele criou vários heterônimos. Seus heterônimos tinham personalidades próprias, os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Em Cancioneiro constam poemas assinados po

Poema Sujo (Ferreira Gullar)

Conheça um pouco da história do poema Poema Sujo de Ferreira Gullar. Neste vídeo, o autor conta como escreveu o poema, enquanto estava exilado durante a ditadura militar e como o poema o ajudou a retornar ao Brasil. Sentia-me dentro de um cerco que se fechava. Decidi, então, escrever um poema que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre. — Ferreira Gullar A seguir um Trecho do Poema Poema Sujo (Ferreira Gullar) Introduzo na poesia A palavra diarréia. Não pela palavra fria Mas pelo que ela semeia. Quem fala em flor não diz tudo. Quem me fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais. No dicionário a palavra é mera idéia abstrata. Mais que palavra, diarréia é arma que fere e mata. Que mata mais do que faca, mais que bala de fuzil, homem, mulher e criança no interior do Brasil. Por exemplo, a diarréia, no Rio Grande do Norte, de cem crianças que nascem, setenta e seis leva á morte. É como uma b