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Mostrando postagens de Dezembro, 2020

Lygia Fagundes Telles - o desafio continua

Lygia Fagundes Telles morreu no domingo em sua casa em São Paulo, aos 98 anos. Lygia foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1985, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 2005, recebeu, pelo conjunto de suas obras, a consagração máxima para um autor da Língua Portuguesa, o Prêmio Camões. Eu sou uma jogadora. Meu pai era um jogador. Ele jogava com as fichas, eu jogo com as palavras. Eu acho que nós temos de arriscar, o tempo todo, até a morte. Então, arrisco e acho válido. É uma forma de transpor o círculo de giz, a fronteira. Isto, para o escritor, é sempre uma esperança. — Lygia Fagundes Telles [1] Lygia Fagundes Telles em capa da Revista "Cadernos de Literatura Brasileira" Manifesto dos Intelectuais - 1977 Durante a ditadura militar, Lygia Fagundes Telles, junto a outros colegas, liderou a elaboração de um abaixo-assinado de mais de mil signatários contra a censura. Trata

​Coração (Maria Thereza Noronha)

Pintura Retirantes de Candido Portinari Coração Morreu de faca no peito quanto o coração só lhe falavade amor. A faca se abriu em chaga vermelha e meio com jeito de flor. Morreu de febre no leito quando o coração já lhe falhava no peito. Deixou órfãos e viúva. Partiu num dia de chuva sem palavras. Morreu de foice no eito enquanto o coração lhe sussurrava: — que proveito? Deu por perdida a batalha: a sua, não o que restava a ser feito. Morreu de fome e direito negado, quando o coração só lhe dizia CHEGA! E o esqueleto já se entrevia antes de enterrado. Morreu de omissão: assassinado. Morreu de fúria e despeito quando o coração se lhe inchava no peito. E a epígrafe se destacava: "Não será de ninguém o que é meu. De direito!" - Maria Thereza Noronha

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. — Poema de Cecília Meireles retirado do livro Viagem (1939) Livro Viagem de Cecília Meireles Editora Global. Leia outros poemas de Cecília Meireles ... E o meu caminho começa ... Romance XIX ou dos maus presságios Herança