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Lygia Fagundes Telles - o desafio continua

Lygia Fagundes Telles morreu no domingo em sua casa em São Paulo, aos 98 anos. Lygia foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1985, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 2005, recebeu, pelo conjunto de suas obras, a consagração máxima para um autor da Língua Portuguesa, o Prêmio Camões. Eu sou uma jogadora. Meu pai era um jogador. Ele jogava com as fichas, eu jogo com as palavras. Eu acho que nós temos de arriscar, o tempo todo, até a morte. Então, arrisco e acho válido. É uma forma de transpor o círculo de giz, a fronteira. Isto, para o escritor, é sempre uma esperança. — Lygia Fagundes Telles [1] Lygia Fagundes Telles em capa da Revista "Cadernos de Literatura Brasileira" Manifesto dos Intelectuais - 1977 Durante a ditadura militar, Lygia Fagundes Telles, junto a outros colegas, liderou a elaboração de um abaixo-assinado de mais de mil signatários contra a censura. Trata

Bruxo do Cosme Velho

Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade.
Fonte: Wikipedia.

Machado de Assis morou durante muitos anos na casa nº 18 da rua Cosme Velho, no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro. Lá morreu em 1908 aos 69 anos, quase 4 anos após a morte de sua esposa Carolina Augusta de Novais.

O escritor ganhou o apelido Bruxo do Cosme Velho e este tornou-se sinônimo de seu nome em artigos em jornais, revistas e publicações acadêmicas. Ganhando mais força no meio literário quando Carlos Drummond de Andrade publicou um poema em sua homenagem “A um bruxo, com amor”. O poema foi publicado em 1958 no Correio da Manhã>, confira abaixo um trecho do poema de Drummond dedicado a Machado de Assis.

A um bruxo, com amor

Em certa casa da Rua Cosme Velho (que se abre no vazio) venho visitar-te; e me recebes na sala trajestada com simplicidade onde pensamentos idos e vividos perdem o amarelo de novo interrogando o céu e a noite. Outros leram da vida um capítulo, tu leste o livro inteiro. Daí esse cansaço nos gestos e, filtrada, uma luz que não vem de parte alguma pois todos os castiçais estão apagados. Contas a meia voz maneiras de amar e de compor os ministérios e deitá-los abaixo, entre malinas e bruxelas. Conheces a fundo a geologia moral dos Lobo Neves e essa espécie de olhos derramados que não foram feitos para ciumentos. [...]

Ao longo de sua carreira Drummond foi também um crítico de Machado de Assis vindo a se retratando mais tarde. Aos 22 anos, considerava Machado de Assis um entrave à obra de renovação da cultura geral a ser repudiado, fato registrado com a publicação do seu artigo Sobre a tradição em literatura.

Os escritores do período modernista procuravam uma renovação literária e confrontar com Machado de Assis era um peso insuportável. O livro recém-publicado e organizado pelo Professor de Literatura Brasileira da Universidade de São Paulo (USP), Hélio de Seixas Guimarães, demonstra as mudanças e transformações de Drummond até a sua famosa retratação:

Amor nenhum dispensa uma gota de ácido
— Carlos Drummond de Andrade

Machado de Assis foi tema de inúmeros textos de Drummond ao longo das décadas que separam as posições contrárias do artigo crítico da homenagem em seu poema. O livro do professor Hélio Guimarães reúne esses escritos e retraça o percurso da compreensão profunda do escritor mais velho pelo mais novo. Guimarães é também autor de outros livros sobre Machado de Assis. Na entrevista a seguir ele fala sobre seu livro "Machado de Assis o escritor que nos lê".

Referencias

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