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Mostrando postagens de Abril, 2017

Mentiras (Adriana Calcanhoto)

Nada ficou no lugar Eu quero quebrar essas xícaras Eu vou enganar o diabo Eu quero acordar sua família Eu vou escrever no seu muro E violentar o seu rosto Eu quero roubar no seu jogo Eu já arranhei os seus discos Que é pra ver se você volta Que é pra ver se você vem Que é pra ver se você olha Pra mim

O guardador de Rebanhos

XXI Se eu pudesse trincar a terra toda E sentir-lhe um paladar, E se a terra fosse uma coisa para trincar Seria mais feliz um momento… Mas eu nem sempre quero ser feliz. É preciso ser de vez em quando infeliz Para se poder ser natural… Nem tudo é dias de sol, E a chuva, quando falta muito, pede-se. Por isso tomo a infelicidade com a felicidade Naturalmente, como quem não estranha Que haja montanhas e planícies E que haja rochedos e erva… O que é preciso é ser-se natural e calmo Na felicidade ou na infelicidade, Sentir como quem olha, Pensar como quem anda, E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre, E que o poente é belo e é bela a noite que fica… Assim é e assim seja… Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa em O guardado de Rebanhos .  Leia outros poemas de Fernando Pessoa Poema em linha reta Tão cedo passa tudo quanto passa! Agora que sinto amor Mar Português