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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

Ora (direis) ouvir estrelas!

XII Sonhei que me esperavas. E, sonhando, Saí, ansioso por te ver: corria... E tudo, ao ver-me tão depressa andando, Soube logo o lugar para onde eu ia. E tudo me falou, tudo! Escutando Meus passos, através da ramaria, Dos despertados pássaros o bando: "Vai mais depressa! Parabéns!" dizia. Disse o luar: "Espera! que eu te sigo: Quero também beijar as faces dela!" E disse o aroma: "Vai, que eu vou contigo!" E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela: "Como és feliz! como és feliz, amigo, Que de tão perto vais ouvi-la e vê-la!" XIII "Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A via láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora! "Tresloucado amigo! Que conversas com elas?

Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)

Aos 82 anos Rachel de Queiroz publica Memorial de Maria Moura, considerada a obra-prima da autora. O romance apresenta a saga de uma mulher no sertão nordestino contra a submissão feminina na sociedade do século XIX. A obra foi adaptada a uma minissérie  exibida em 1994. A minissérie foi um grande sucesso de audiência e alavancou a venda do romance de Rachel de Queiroz. Imagem de Minissérie Memorial de Maria Moura  Livro Memorial de Maria Moura Quando menina, Maria Moura saía pela mata com os muleques matando passarinho, pescando piaba no açude, mas depois de moça vê-se presa em casa. Era proibida de sair, passear mesmo somente nas festas da igreja, “filha de fazendeiro não vai a samba de caboclo, nem a baile de bodegueiro da vila” e também não era convidada a festas de fazendeiro ricos, pois a sua mãe havia caído na boca do povo. O pai de Moura morre quando ela ainda é criança e sua mãe começa um relacionamento público com Liberato, porém, eles não se casam, o que era um e