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Mostrando postagens de 2016

HAI KAI (Paulo Leminski)

Paulo Leminski por Fraga hai Eis que nasce completo e, ao morrer, morre germe, o desejo, analfabeto, de saber como reger-me, ah, saber como me ajeito para que eu seja quem fui, eis o que nasce perfeito e, ao crescer, diminui. kai Mínimo templo para um deus pequeno, aqui vos guarda, em vez da dor que peno, meu extremo anjo de vanguarda. De que máscara se gaba sua lástima, de que vaga se vangloria sua história, saiba quem saiba. A mim me basta a sombra que se deixa, o corpo que se afasta. Poema extraído do livro "Distraídos Venceremos" do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989). Outros poemas de Leminski .. Quem sou eu pra falar com deus? Mal rabisco ... HAI KAI Bem no Fundo Releituras - Leminski

Pensamentos que reúnem um tema (Adalgisa Nery)

Adalgisa Nery Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar, Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar. Estou pensando nos que vivem a vida Na previsão do impossível E nos que esperam o céu Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível. Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões E nos poetas que correm indefinidamente Em busca da lucidez dos que possam atingir A festa dos sentidos nas simples emoções. Estou pensando num olhar profundo Que me revelou uma doce e estranha presença, Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias Não sentiram o seu mistério impenetrável, Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas Sem a companhia de um silêncio e de uma oração, Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar, Nas mulheres que correm mundo Distribuindo o sexo des

Tu Queres Sono: Despe-te dos Ruídos (Ana Cristina Cesar)

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e dos restos do dia, tira da tua boca o punhal e o trânsito, sombras de teus gritos, e roupas, choros , cordas e também as faces que assomam sobre a tua sonora forma de dar, e os outros corpos que se deitam e se pisam, e as moscas que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças) que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que esqueceram teus braços e tantos movimentos que perdem teus silêncios, o os ventos altos que não dormem, que te olham da janela e em tua porta penetram como loucos pois nada te abandona nem tu ao sono. Ana Cristina Cesar Leia outros poemas de Ana Cristina Cesar ... ​A ponto de partir ​ Contagem regressiva

Se Eu Fosse Eu (Clarice Lispector)

A Crônica “ Se Eu Fosse Eu ” de Clarice Lispector foi publicada em 30 de novembro de 1968 pelo Jornal do Brasil. Esta e outras cronicas podem ser encontradas no livro A descoberta do Mundo , que reúne as crônicas que ela escreveu para o Jornal do Brasil no período de 1967 a 1973. SE EU FOSSE EU “Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se e

Estado de Poesia (Chico César)

Para viver em estado de poesia Me entranharia nestes sertões de você Para deixar a vida que eu vivia De cigania antes de te conhecer De enganos livres que eu tinha porque queria Por não saber que mais dia menos dia Eu todo me encantaria pelo todo do seu ser Pra misturar meia noite meio dia E enfim saber que cantaria a cantoria Que há tanto tempo queria A canção do bem querer É belo vês o amor sem anestesia Dói de bom, arde de doce Queima, acalma Mata, cria Chega tem vez que a pessoa que enamora Se pega e chora do que ontem mesmo ria Chega tem hora que ri de dentro pra fora Não fica nem vai embora É o estado de poesia (Chico César)

BookCrossing

BookCrossing consiste em deixar livros em locais públicos para que sejam lidos por outras pessoas que a seguir farão o mesmo ... . A ideia é tornar o mundo uma imensa biblioteca livre. Como funciona? Ao encontrar um livro do BookCrossing entre com o n° BCID na página www.bookcrossing.com e descubra onde o livro esteve, quem leu o livro e os outros leitores saberão que o livro passou por suas mãos e está seguindo a corrente.  “Ler, Registar e Libertar” Você também pode registrar seus livros em  www.bookcrossing.com , cole e etiquete com o número de identificação  BCID  fornecidos pelo site e liberte o seu livro em um lugar público para que outras pessoas possam ler e continuar essa aventura. Faça parte dessa experiência mista de surpresa, altruísmo e gosto pela leitura!

Primeiro caderno do aluno de poesia

Pintura de Di Cavalcanti Senhor Que eu não fique nunca Como esse velho inglês Aí do lado Que dorme numa cadeira À espera de visitas que não vêm (Oswald de Andrade) Poema extraído do livro  Primeiro caderno do aluno de poesia  de Oswald de Andrade .

Testamento (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo É que melhor me enriquece. Tive uns dinheiros — perdi-os... Tive amores — esqueci-os. Mas no maior desespero Rezei: ganhei essa prece. Vi terras da minha terra. Por outras terras andei. Mas o que ficou marcado No meu olhar fatigado, Foram terras que inventei. Gosto muito de crianças: Não tive um filho de meu. Um filho!... Não foi de jeito... Mas trago dentro do peito Meu filho que não nasceu. Criou-me, desde eu menino Para arquiteto meu pai. Foi-se-me um dia a saúde... Fiz-me arquiteto? Não pude! Sou poeta menor, perdoai! Não faço versos de guerra. Não faço porque não sei. Mas num torpedo-suicida Darei de bom grado a vida Na luta em que não lutei! Poesia extraída do livro Antologia Poética de Manuel Bandeira .

Romance em doze linhas (Bruna Beber)

quanto falta pra gente se ver hoje quanto falta pra gente se ver logo quanto falta pra gente se ver todo dia quanto falta pra gente se ver pra sempre quanto falta pra gente se ver dia sim dia não quanto falta pra gente se ver às vezes quanto falta pra gente se ver cada vez menos quanto falta pra gente não querer se ver quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu Bruna Beber (foto: Reprodução Facebook) Bruna Beber é um poetisa carioca. Publicou seu livro de estréia " a fila sem fim dos demônios descontentes " em 2006, e de lá pra cá vieram Rapapés & apupos , Balés e Rua da Padaria .

de mais ninguém

Se ela me deixou, a dor É minha só, não é de mais ninguém. Aos outros eu devolvo a dó Eu tenho a minha dor. Se ela preferiu ficar sozinha, Ou já tem um outro bem Se ela me deixou a dor é minha, A dor é de quem tem. É meu troféu, é o que restou, É o que me aquece sem me dar calor. Se eu não tenho o meu amor, Eu tenho a minha dor A sala, o quarto, a casa está vazia, A cozinha, o corredor. Se nos meus braços ela não se aninha, A dor é minha. Se ela me deixou, a dor É minha só, não é de mais ninguém Aos outros eu devolvo a dó Eu tenho a minha dor Se ela preferiu ficar sozinha, Ou já tem um outro bem Se ela me deixou, A dor é minha, A dor é de quem tem Mmmh... mmmh... É o meu lençol, é o cobertor. É o que me aquece sem me dar calor Se eu não tenho o meu amor, Eu tenho a minha dor A sala, o quarto, A casa está vazia, A cozinha, o corredor. Se nos meus braços, Ela não se aninha, A dor é minha, a dor. Mmmh mmmh... Ouça também ... ♪ ♫ ♩ ♫ ♬ ♪ ♫ Outra vez

Descobrindo e Amando Nélida Piñon

Nélida Piñon é uma escritora brasileira nascida no Rio de Janeiro. Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), desde 1989, e foi a primeira (e única) mulher a presidir a instituição. Nélida escreveu diversos livros. Entre os mais consagrados estão: os romances A República dos Sonhos e Vozes no Deserto , ambos traduzidos para o inglês, a coletânea de contos O Calor das Coisas e a coletânea, quase autobiográfica, O Pão de Cada Dia – Fragmentos . O Pão de Cada Dia é uma coleção de pequenos textos de Nélida, escritos ao longo de toda a sua vida. Esses excertos falam sobre quatro temas centrais: a família e suas origens, viagens pela Europa, a arte literária em si e seus escritores, religiosidade. Sobre a família, logo no começo do livro descobre-se que a autora é filha de um pai da Galícia 1 , região da Espanha que fascina Nélida, assim como a Catalunha 2 . A mãe da escritora era uma mineira de São Lourenço, portanto, Nélida cresceu no meio de  culturas distintas e soube apr

SENTIMENTO DO MUNDO (Drummond)

Sentimento do Mundo Tenho apenas duas mãos e o sentimento do mundo, mas estou cheio de escravos, minhas lembranças escorrem e o corpo transige na confluência do amor. Quando me levantar, o céu estará morto e saqueado, eu mesmo estarei morto, morto meu desejo, morto o pântano sem acordes.

Verdade seja dita (Mel Duarte)

Verdade seja dita Você que não mova sua pica pra impor respeito a mim. Seu discurso machista, machuca E a cada palavra falha Corta minhas iguais como navalha NINGUÉM MERECE SER ESTUPRADA! Violada, violentada Seja pelo abuso da farda Ou por trás de uma muralha Minha vagina não é lixão Pra dispensar as tuas tralhas Canalha! Tanta gente alienada Que reproduz seu discurso vazio E não adianta dizer que é só no Brasil Em todos os lugares do mundo, Mulheres sofrem com seres sujos Que utilizam da força quando não só, até em grupos! Praticando sessões de estupros que ficam sem justiça.

Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa! Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada. Tão Cedo Tão cedo tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada. Poema extraído de Poemas de Ricardo Reis , obra disponível para download no Portal Domínio Público  dominiopublico.gov.br Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)

Aflição de ser eu e não ser outra ...

Aflição de ser eu e não ser outra. Aflição de não ser, amor, aquela Que muitas filhas te deu, casou donzela E à noite se prepara e se adivinha Objeto de amor, atenta e bela. Aflição de não ser a grande ilha Que te retém e não te desespera. (A noite como fera se avizinha) Aflição de ser água em meio à terra E ter a face conturbada e móvel. E a um só tempo múltipla e imóvel Não saber se se ausenta ou se te espera. Aflição de te amar, se te comove. E sendo água, amor, querer ser terra. Hilda Hilst Fotografia de Hilda Hilst por Fernando Lemos Leia outros Poemas de Hilda Hilst Que este amor não me cegue nem me siga Ode Descontínua e Remota

Cajuína (Caetano Veloso)

Existirmos: a que será que se destina? Pois quando tu me deste a rosa pequenina Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina Do menino infeliz não se nos ilumina Tampouco turva-se a lágrima nordestina Apenas a matéria vida era tão fina E éramos olharmo-nos intacta retina A cajuína cristalina em Teresina Caetano, Torquato e Capinan Conheça a história por trás da música Cajuína em  Laparola - Cajuína .

ERRO (Machado de Assis)

Adicionar legenda Erro é teu. Amei-te um dia Com esse amor passageiro Que nasce na fantasia E não chega ao coração; Não foi amor, foi apenas Uma ligeira impressão; Um querer indiferente, Em tua presença, vivo, Morto, se estavas ausente, E se ora me vês esquivo, Se, como outrora, não vês Meus incensos de poeta Ir eu queimar a teus pés, É que, — como obra de um dia, Passou-me essa fantasia. Para eu amar-te devias Outra ser e não como eras. Tuas frívolas quimeras, Teu vão amor de ti mesma, Essa pêndula gelada Que chamavas coração, Eram bem fracos liames Para que a alma enamorada Me conseguissem prender; Foram baldados tentames, Saiu contra ti o azar, E embora pouca, perdeste A glória de me arrastar Ao teu carro... Vãs quimeras! Para eu amar-te devias Outra ser e não como eras... Veja também outros poemas de Machado de Assis ... Soneto Vai-te Suave Mari Magno ​

Romance XXIV ou da Bandeira da Inconfidência (Cecília Meireles)

Através de grossas portas, sentem-se luzes acesas, — e há indagações minuciosas dentro das casas fronteiras: olhos colados aos vidros, mulheres e homens à espreita, caras disformes de insônia, vigiando as ações alheias. Pelas gretas das janelas, pelas frestas das esteiras, agudas setas atiram a inveja e a maledicência. Palavras conjeturadas oscilam no ar de surpresas, como peludas aranhas na gosma das teias densas, rápidas e envenenadas, engenhosas, sorrateiras. Atrás de portas fechadas, à luz de velas acesas, brilham fardas e casacas, junto com batinas pretas. E há finas mãos pensativas, entre galões, sedas, rendas, e há grossas mãos vigorosas, de unhas fortes, duras veias, e há mãos de púlpito e altares, de Evangelhos, cruzes, bênçãos. Uns são reinóis, uns, mazombos; e pensam de mil maneiras; mas citam Vergílio e Horácio, e refletem, e argumentam, falam de minas e impostos, de lavras e de fazendas, de ministros e rainhas e das colônias inglesas.

Necessito de um ser ...

Soneto (Mário Faustino) Necessito de um ser, um ser humano Que me envolva de ser Contra o não ser universal, arcano Impossível de ler À luz da lua que ressarce o dano Cruel de adormecer A sós, à noite, ao pé do desumano Desejo de morrer. Necessito de um ser, de seu abraço Escuro e palpitante Necessito de um dormente e lasso Contra meu ser arfante: necessito de um ser sendo a meu lado Um ser profundo e aberto, um ser amado. Mário Faustino

Yoga

Yoga vem de uma palavra em sânscrito ( yuj ) que significa unir. A essência do Yoga busca a união do indivíduo (ser) ao Ser (seu potencial pleno de autorrealização, que pode ter muitos nomes conforme religião e filosofia). Existem diversas escolas de Yoga no mundo. A primeira pessoa a escrever sobre práticas ióguicas foi Patanjali , entre 200 a.C. e 400 d.C.. O Yoga está muito associado à imagem de posturas físicas complexas (chamadas asanas ). Mas, na verdade, os asanas foram desenvolvidos porque os monges ficavam muito tempo meditando e precisavam alongar o corpo. Assim eles alongavam o corpo para se concentrar por mais horas de meditação. De certa forma, eles trouxeram a meditação para o corpo, por meio do desenvolvimento das posturas. Yoga cura doenças? Yoga emagrece? Yoga é só para relaxar?

Com licença poética (Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto, desses que tocam trombeta, anunciou: vai carregar bandeira. Cargo muito pesado pra mulher, esta espécie ainda envergonhada. Aceito os subterfúgios que me cabem, sem precisar mentir. Não sou feia que não possa casar, acho o Rio de Janeiro uma beleza e ora sim, ora não, creio em parto sem dor. Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina. Inauguro linhagens, fundo reinos — dor não é amargura. Minha tristeza não tem pedigree, já a minha vontade de alegria, sua raiz vai ao meu mil avô. Vai ser coxo na vida é maldição pra homem. Mulher é desdobrável. Eu sou. Adélia Prado Leia também ... ​Motivo​ de Cecília Meireles Mascarados de Cora Coralina Fanatismo de Florbela Espanca Pensamentos que reúnem um tema de Adalgisa Nery.

Drumundana (Alice Ruiz)

e agora maria? o amor acabou a filha casou o filho mudou teu homem foi pra vida que tudo cria a fantasia que você sonhou apagou à luz do dia e agora maria? vai com as outras vai viver com a hipocondria Paródia do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade. Alice Ruiz

MULHER AO ESPELHO (Cecília Meireles)

Mulher em frente ao espelho Autor: Pablo Picasso   Hoje, que seja esta ou aquela, pouco me importa. Quero apenas parecer bela, pois, seja qual for, estou morta. Já fui loura, já fui morena, já fui Margarida e Beatriz, já fui Maria e Madalena. Só não pude ser como quis. Que mal fez essa cor fingida do meu cabelo, e do meu rosto, se é tudo tinta: o mundo, a vida, o contentamento, o desgosto? Por fora, serei como queira, a moda, que vai me matando. Que me levem pele e caveira ao nada, não me importa quando. Mas quem viu, tão dilacerados, olhos, braços e sonhos seus, e morreu pelos seus pecados, falará com Deus. Falará, coberta de luzes, do alto penteado ao rubro artelho. Porque uns expiram sobre cruzes, outros, buscando-se no espelho. Poema retirado do livro Flor de poemas (1972) de Cecília Meireles . Veja também outros poemas de Cecília Meireles ... Motivo E o meu caminho começa ... Herança

O LAMENTO DAS COISAS (Augusto dos Anjos)

Pintura de Leonid Afremov Triste, a escutar, pancada por pancada, A sucessividade dos segundos, Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos O choro da Energia abandonada! É a dor da Força desaproveitada -- O cantochão dos dínamos profundos, Que, podendo mover milhões de mundos, Jazem ainda na estática do Nada! É o soluço da forma ainda imprecisa... Da transcendência que se não realiza... Da luz que não chegou a ser lampejo... E é em suma, o subconsciente aí formidando Da Natureza que parou, chorando, No rudimentarismo do Desejo! Poema extraído de Eu e Outras Poesias , de Augusto dos Anjos . Obra completa disponível para download no Portal Domínio Público Eu e outras Poesias .