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Lygia Fagundes Telles - o desafio continua

Lygia Fagundes Telles morreu no domingo em sua casa em São Paulo, aos 98 anos. Lygia foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1985, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 2005, recebeu, pelo conjunto de suas obras, a consagração máxima para um autor da Língua Portuguesa, o Prêmio Camões. Eu sou uma jogadora. Meu pai era um jogador. Ele jogava com as fichas, eu jogo com as palavras. Eu acho que nós temos de arriscar, o tempo todo, até a morte. Então, arrisco e acho válido. É uma forma de transpor o círculo de giz, a fronteira. Isto, para o escritor, é sempre uma esperança. — Lygia Fagundes Telles [1] Lygia Fagundes Telles em capa da Revista "Cadernos de Literatura Brasileira" Manifesto dos Intelectuais - 1977 Durante a ditadura militar, Lygia Fagundes Telles, junto a outros colegas, liderou a elaboração de um abaixo-assinado de mais de mil signatários contra a censura. Trata

A Escravidão Branca no Brasil

Escravizar significa “reduzir a condição de escravo; subjugar, sujeitar.”. É importante ressaltar dois pontos nesta definição:

1. As palavras “escravo” e “slave” (em inglês) têm o mesmo significado e a mesma origem. Ambas vieram de “eslavo”, povo europeu branco de olhos claros, que foi escravizado várias vezes. Ou seja, a escravidão não é restrita a uma única etnia ou cor de pele;

2. A definição de “escravizar” é envolver “subjugar” e “sujeitar”, mas não necessariamente envolve só violência física. As maneiras para reduzir alguém à condição de escravo podem ser muitas e envolver uma combinação de fatores (psicológico, financeiro, social, etc.).

Gostamos de nos iludir pensando que escravidão é apenas um fato histórico. Mas ela continua forte até hoje. Talvez até mais forte que no passado. Para ver a face escravidão moderna em vários lugares do globo, assistam a palestra tocante da fotógrafa Lisa Kristine.



Jovens Polacas – A Escravidão Branca no Brasil

Para descobrir outra face da escravidão no Brasil, destaca-se o livro “Jovens Polacas – Da miséria na Europa à prostituição no Brasil” da escritora brasileira Esther Largman.



O livro trata da História da organização criminosa Zwi Migdal, que era especializada em tráfico humano para a escravidão e atuava (ou ainda atua?) principalmente no Brasil e na Argentina, até o começo do século XX.

Os membros dessa organização procuravam moças de famílias pobres no Leste europeu e, na maioria dos casos, casavam com elas e as traziam para o Brasil. Chegando aqui, eles as obrigavam a se prostituírem. Essas moças louras e brancas, que não falavam português, ficaram conhecidas como “as polacas”. A maioria delas morreu nessa condição e as autoridades nunca se preocuparam muito com isso. O Zwi Migdal foi desarticulado devido ao ato heroico de uma ex-escrava, Rachel Lieberman, que denunciou os principais líderes da organização.

A autora do livro, Esther Largman, recebeu ameaças enquanto pesquisava e escrevia. O prefácio é do grande escritor e médico Moacy Scliar, que relata sua experiência profissional atendendo essas mulheres (já idosas) num hospital psiquiátrico.

Esta é uma leitura recomendada para quem gosta de História e deseja se aprofundar no tema. Mas é preciso ter um estômago forte, para entender a fundo todas as definições da palavra “escravizar”.


Texto de Isotília Melo  do Blog 500 Livros.


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