Pular para o conteúdo principal

Vita nuova (Olavo Bilac)

Vita Nouva - Olavo Bilac
The Kiss, por Gustav Klimt, 1907-1908

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Amo-te! A febre, que supunhas morta,
Revive. Esquece o meu passado, louca!
Que importa a vida que passou? Que importa,

Se ainda te amo, depois de amores tantos,
E inda tenho, nos olhos e na boca,
Novas fontes de beijos e de prantos?!


Poema de Olavo Bilac extraído de Alma Inquieta disponível para download em Dominio Publico (Alma Inquieta).

Outros poemas de Olavo Bilac ...

Ora (direis) ouvir estrelas!

​Cantinela


​Velhas arvores

​Dualismo

​Última Página

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Erro de português (Oswald de Andrade)

Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português "O Descobrimento do Brasil" Cândido Portinari

“— Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu.”

O Ateneu é o romance mais conhecido do escritor Raul Pompeia (1863-1895). É uma prosa poética, contada em primeira pessoa pelo personagem Sérgio, sobre sua a traumática formação dentro de um internato privado no Rio de Janeiro (o Ateneu).A sociedade da época reprimia afetividade e ternura dos homens (não tão distante dos dias atuais) de forma que as relações entre homens e mulheres e mesmo as relações entre homens era bastante prejudicada. Se de algum modo o homem vivenciar ternura por outro homem, o mesmo será então tachado de homossexual, ''mariquinhas''. O que, na época, era uma grande desonra pública. Em o Ateneu, Sérgio descreve o amigo Egbert com bastante afetividade, de uma maneira fraternal. Como ilustrado no seguinte trecho do livro: Egbert merecia-me ternuras de irmão mais velho. Tinha o rosto irregular, parecia-me formoso. De origem inglesa, tinha os cabelos castanhos entremeados de louro, uma alteração exótica na pronúncia, olhos azuis de estrias cinze

Se Eu Fosse Eu (Clarice Lispector)

A Crônica “ Se Eu Fosse Eu ” de Clarice Lispector foi publicada em 30 de novembro de 1968 pelo Jornal do Brasil. Esta e outras cronicas podem ser encontradas no livro A descoberta do Mundo , que reúne as crônicas que ela escreveu para o Jornal do Brasil no período de 1967 a 1973. SE EU FOSSE EU “Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se e