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Mostrando postagens de Maio, 2015

Sinto que o mês presente me assassina

Foto: Cia. de Bolso Sinto que o mês presente me assassina, As aves atuais nasceram mudas E o tempo na verdade tem domínio sobre homens nus ao sul das luas curvas. Sinto que o mês presente me assassina, Corro despido atrás de um cristo preso, Cavalheiro gentil que me abomina E atrai-me ao despudor da luz esquerda Ao beco de agonia onde me espreita A morte espacial que me ilumina. Sinto que o mês presente me assassina

A ponto de partir (Ana Cristina Cesar)

A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriam para sempre na distância. Parece pouco? Chão de sal grosso, e ouro que se racha. A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância. Lentes escuríssimas sob os pilotis. Leia outros poemas de Ana Cristina Cesar   Tu Queres Sono: Despe-te dos Ruídos ​ ​ ​Contagem regressiva

Vita nuova (Olavo Bilac)

The Kiss, por Gustav Klimt, 1907-1908 Se ao mesmo gozo antigo me convidas, Com esses mesmos olhos abrasados, Mata a recordação das horas idas, Das horas que vivemos apartados! Não me fales das lágrimas perdidas, Não me fales dos beijos dissipados! Há numa vida humana cem mil vidas, Cabem num coração cem mil pecados!

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis...ora! Não é motivo para não querê-las... Que tristes os caminhos, se não fora A mágica presença das estrelas (Mário Quintana) Poema extraído do livro Espelho Mágico  de Mário Quintana, publicado em 1951. Capa do livro Espelho Mágico  Leia outros poemas de Mário Quintana .. Eu ouço a música O pobre Poema Se eu fosse um padre O silêncio

Congresso Internacional do Medo (Drummond)

Pintura de Ljuba Adanja 2002 Provisoriamente não cantaremos o amor, que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos. Cantaremos o medo, que estereliza os abraços, não cantaremos o ódio, porque este não existe, existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro, o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos, o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte. Depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas. Veja também outros poemas de Drummond ... Consolo na praia Sentimento do mundo Resíduo O ano passado ​ Quadrilha ​

DESAFIO : Mulheres na Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é a instituição cultural máxima para a divulgação da língua e da cultura brasileira. Ela foi fundada em 1897 por iniciativa de homens geniais, como o escritor Machado de Assis . Infelizmente até hoje, mesmo num país cuja maioria da população é feminina, cujas mulheres têm mais educação formal que os homens e são leitoras mais vorazes, a ABL continua um privilégio quase exclusivamente masculino. A ABL é constituída por 40 membros, chamados imortais, e 10 correspondentes estrangeiros. Ao todo, 288 intelectuais já foram consagrados como imortais, desses apenas 8 eram mulheres, ou seja, cerca de 3% dos membros, num país em que elas são 51,3% da população. Essas escritoras são: 1. Ana Maria Machado ; 2. Dinah Silveira de Queiroz ; 3. Nélida Piñon ; 4. Rachel de Queiroz (apesar do mesmo sobrenome não é parente da Dinah); 5. Zélia Gattai ; 6. Lygia Fagundes Telles ; 7. Rosiska Darcy de Olive

“— Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu.”

O Ateneu é o romance mais conhecido do escritor Raul Pompeia (1863-1895). É uma prosa poética, contada em primeira pessoa pelo personagem Sérgio, sobre sua a traumática formação dentro de um internato privado no Rio de Janeiro (o Ateneu).A sociedade da época reprimia afetividade e ternura dos homens (não tão distante dos dias atuais) de forma que as relações entre homens e mulheres e mesmo as relações entre homens era bastante prejudicada. Se de algum modo o homem vivenciar ternura por outro homem, o mesmo será então tachado de homossexual, ''mariquinhas''. O que, na época, era uma grande desonra pública. Em o Ateneu, Sérgio descreve o amigo Egbert com bastante afetividade, de uma maneira fraternal. Como ilustrado no seguinte trecho do livro: Egbert merecia-me ternuras de irmão mais velho. Tinha o rosto irregular, parecia-me formoso. De origem inglesa, tinha os cabelos castanhos entremeados de louro, uma alteração exótica na pronúncia, olhos azuis de estrias cinze

Parte IV: Visconde de Taunay, um escritor feminista!

Também se destacam as seguintes obras de Taunay: Ouro Sobre Azul (1875), Manuscritos de uma Mulher (1873), O Encilhamento: Cenas contemporâneas da Bolsa do Rio de Janeiro em 1890,1891 e 1892 (1893). Ouro sobre Azul é um romance ambientado no Rio de Janeiro e dirigido ao grande público. A expressão Mas isso é ouro sobre azul significa mas isso é excelente, ótimo, melhor impossível ”. Descobri lendo o livro, depois ouvi um colega português usando-a no meu trabalho. Imagino que fosse uma expressão comum na época. O interessante é que uma das personagens principais é uma viúva independente (a única forma de uma mulher ser independente na época!) e ela se dá muito bem em toda história. Subentende-se uma admiração do autor pela figura da mulher independente. Eu me orgulho de ter a primeira edição do livro Manuscritos de uma Mulher . Ainda não li, pretendo ler este ano e postar no bl