Que este amor não me cegue nem me siga

Retrato de Hilda Hilst feito por Fernado Lemos

    Que este amor não me cegue nem me siga.
    E de mim mesma nunca se aperceba.
    Que me exclua do estar sendo perseguida
    E do tormento
    De só por ele me saber estar sendo.
    Que o olhar não se perca nas tulipas
    Pois formas tão perfeitas de beleza
    Vêm do fulgor das trevas.
    E o meu Senhor habita o rutilante escuro
    De um suposto de heras em alto muro.
    
    Que este amor só me faça descontente
    E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
    Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
    Como só soem ser aranhas e formigas.
    
    Que este amor só me veja de partida.
    
Trecho extraído de Cantares de Hilda Hilst(1930-2004) Leia outros Poemas de Hilda Hilst

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