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Mostrando postagens de Agosto, 2014

Eu que não amo você (Engenheiros do Hawaii)

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Eu que não fumo queria um cigarro Eu que não amo você Envelheci dez anos ou mais nesse último mês Senti saudade, vontade de voltar Fazer a coisa certa: aqui é o meu lugar Mas, sabe como é difícil encontrar A palavra certa, a hora certa de voltar A porta aberta, a hora certa de chegar

Velhas árvores (Olavo Bilac)

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Velhas árvores Olha estas velhas árvores, mais belas Do que as árvores novas, mais amigas: Tanto mais belas quanto mais antigas, Vencedoras da idade e das procelas... O homem, a fera, e o inseto, à sombra delas Vivem, livres de fomes e fadigas; E em seus galhos abrigam-se as cantigas E os amores das aves tagarelas. Não choremos, amigo, a mocidade! Envelheçamos rindo”! envelheçamos Como as árvores fortes envelhecem: Na glória da alegria e da bondade, Agasalhando os pássaros nos ramos, Dando sombra e consolo aos que padecem!

Provocações (Luis Fernando Veríssimo)

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A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram lhe provocando por toda a vida. Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Par

Cantilena (Olavo Bilac)

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Céu estrelado por Babak Tafreshi Quando as estrelas surgem na tarde, surge a [esperança... Toda alma triste no seu desgosto sonha um Messias: Quem sabe? o acaso, na sorte esquiva, traz: a mudança E enche de mundos as existências que eram vazias! Quando as estrelas brilham mais vivas, brilha a esperança... Os olhos fulgem; loucas, ensaiam as asas frias: Tantos amores há pela terra, que a mão alcança! E há tantos astros, com outras vidas, para outros dias! Mas, de asas fracas, baixando os olhos, o sonho cansa; No céu e na alma, cerram-se as brumas, gelam as luzes: Quando as estrelas tremem de frio, treme a esperança... Tempo, o delírio da mocidade não reproduzes! Dorme o passado: quantas saudades, e quantas cruzes! Quando as estrelas morrem na aurora, morre a esperança... Poema extraído do livro Tarde de  Olavo Bilac  disponível para download em  Domínio Público (Tarde) .

Escárnio perfumado (Cruz e Sousa)

Quando no enleio De receber umas notícias tuas, Vou-me ao correio, Que é lá no fim da mais cruel das ruas, Vendo tão fartas, D'uma fartura que ninguém colige, As mãos dos outros, de jornais e cartas E as minhas, nuas - isso dói, me aflige... E em tom de mofa, Julgo que tudo me escarnece, apoda, Ri, me apostrofa, Pois fico só e cabisbaixo, inerme, A noite andar-me na cabeça, em roda, Mais humilhado que um mendigo, um verme...