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Mostrando postagens de Julho, 2014

A Escravidão (Tobias Barreto)

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Se Deus é quem deixa o mundo Sob o peso que o oprime, Se ele consente esse crime, Que se chama a escravidão, Para fazer homens livres, Para arrancá-los do abismo, Existe um patriotismo Maior que a religião. Se não lhe importa o escravo Que a seus pés queixas deponha, Cobrindo assim de vergonha A face dos anjos seus, Em seu delírio inefável, Praticando a caridade, Nesta hora a mocidade Corrige o erro de Deus!... Tobias Barreto

Desejo (Hora do Delírio) - Junqueira Freire

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O Peregrino Sobre o Mar de Névoas. Pintura: Caspar David Friedrich Se além dos mundos esse inferno existe, Essa pátria de horrores, Onde habitam os tétricos tormentos, As inefáveis dores; Se ali se sente o que jamais na vida O desespero inspira: Se o suplício maior, que a mente finge, A mente ali respira; Se é de compacta, de infinita brasa O solo que se pisa: Se é fogo, e fumo, e súlfur, e terrores Tudo que ali se visa;

MAR PORTUGUÊS (Fernando Pessoa)

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Ó mar salgado, quanto do teu sal São lágrimas de Portugal! Por te cruzarmos, quantas mães choraram, Quantos filhos em vão rezaram! Quantas noivas ficaram por casar Para que fosses nosso, ó mar! Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena. Quem quer passar além do Bojador Tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, Mas nele é que espelhou o céu. Pintura a óleo de Carlos Alberto Santos Poema extraído de Mensagem de Fernando Pessoa. Disponível para download em Domínio Público . Leia outros poemas de Fernando Pessoa Todas as Cartas de Amor são Ridículas Agora que sinto amor Sou um guardador de rebanhos Liberdade

UM (José Neres)

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Mais de mil sonetos falam de amor, Dez mil idolatram a solidão, Mas estes meus têm outro sabor, Sabor de fome medo e podridão. Os meus versos dão muito mais valor Às lágrimas suadas pela mão De um pobre e sofrido trabalhador Que às gotas perfumadas da paixão Eu não posso cantar sobre uma flor Se, no mesmo jardim, no mesmo chão, O que mais brota é dor e aflição Eu, como posso escrever sobre amor Se neste momento co’exatidão Um irmão, sem pena, mata a outro irmão. Negra Rosa & Outros Poemas Poema extraído de Negra Rosa & Outros Poemas - José Neres Obra disponível em  Domínio Público .

A UM MENINO DE RUA (José Neres)

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Menininho triste Triste de tanto sofrer Será que nunca viste O sol cedo nascer? Garoto cor de neve De neve negra e quente A alguém você deve A tristeza de ser gente. Menino que passa fome Fome de saber Aprende a ler teu nome Para nunca dele esquecer. Menino de Rua Poema extraído de Negra Rosa & Outros Poemas - José Neres Obra disponível em Domínio Público .