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Mostrando postagens de Novembro, 2013

Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me

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Busque Amor novas artes, novo engenho, para matar-me, e novas esquivanças; que não pode tirar-me as esperanças, que mal me tirará o que eu não tenho. Olhai de que esperanças me mantenho! Vede que perigosas seguranças! Que não temo contrastes nem mudanças, andando em bravo mar, perdido o lenho.

Quem diz que Amor é falso (Luís Vaz de Camões)

Quem diz que Amor é falso ou enganoso, ligeiro, ingrato, vão, desconhecido, sem falta lhe terá bem merecido que lhe seja cruel ou rigoroso. Amor é brando, é doce e é piadoso. Quem o contrário diz não seja crido; seja por cego e apaixonado tido, e aos homens, e inda aos deuses, odioso. Se males faz Amor, em mi se veem; em mi mostrando todo o seu rigor, ao mundo quis mostrar quanto podia. Mas todas suas iras são de amor; todos estes seus males são um bem, que eu por todo outro bem não trocaria. Poema extraído de Sonetos e Outros Poemas de Luís Camões. Leia também ... Busque amor novas artes, novo engenho para mater-me Alma minha gentil, que te partiste Sete anos de pastor Jacob servia

Romance VII ou do negro das Catas (Cecília Meireles)

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Do negro nas catas Já se ouve cantar o negro, mas inda vem longe o dia. Será pela estrela d'alva, com seus raios de alegria? Será por algum diamante a arder, na aurora tão fria? Já se ouve cantar o negro, pela agreste imensidão. Seus donos estão dormindo: quem sabe o que sonharão! Mas os feitores espiam, de olhos pregados no chão. Já se ouve cantar o negro. Que saudade, pela serra! Os corpos, naquelas águas, - as almas, por longe terra. Em cada vida de escravo, que surda, perdida guerra!

Herança (Cecília Meireles)

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Eu vim de infinitos caminhos, e os meus sonhos choveram lúcido pranto pelo chão. Quando é que frutifica, nos caminhos infinitos, essa vida, que era tão viva, tão fecunda, porque vinha de um coração? E os que vierem depois, pelos caminhos infinitos, do pranto que caiu dos meus olhos passados, que experiência, ou consolo, ou prêmio alcançarão? Cecília Meireles, desenho de Arpad Szènes

E o meu caminho começa ...

Não perguntavam por mim, mas deram por minha falta. Na trama da minha ausência, inventaram tela falsa. Como eu andava tão longe, numa aventura tão larga, entregue à metamorfose do tempo fluido das águas; como descera sozinho os degraus da espuma clara, e o meu corpo era silêncio e era mistério minha alma - - cantou-se a fábula incerta, segunda a linguagem da harpa: mas a música é uma selva de sal e areia na praia, um arabesco de cinza que ao vento do mar se apaga.

Última Página (Olavo Bilac)

Primavera. Um sorriso aberto em tudo. Os ramos Numa palpitação de flores e de ninhos. Doirava o sol de outubro a areia dos caminhos (Lembras-te, Rosa?) e ao sol de outubro nos amamos. Verão. (Lembras-te, Dulce?) À beira-mar, sozinhos. Tentou-nos o pecado: olhaste-me... e pecamos; E o outono desfolhava os roseirais vizinhos, Ó Laura, a vez primeira em que nos abraçamos... Veio o inverno. Porém, sentada em meus joelhos, Nua, presos aos meus os teus lábios vermelhos, (Lembras-te, Branca?) ardia a tua carne em flor... Carne, que queres mais? Coração, que mais queres? Passam as estações e passam as mulheres... E eu tenho amado tanto! E não conheço o Amor!

Dualismo (Olavo Bilac)

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Olavo Bilac Não és bom, nem és mau: és triste e humano... Vives ansiando, em maldições e preces, Como se, a arder, no coração tivesses O tumulto e o clamor de um largo oceano. Pobre, no bem como no mal, padeces; E, rolando num vórtice vesano, Oscilas entre a crença e o desengano, Entre esperanças e desinteresses. Capaz de horrores e de ações sublimes, Não ficas das virtudes satisfeito, Nem te arrependes, infeliz, dos crimes: E, no perpétuo ideal que te devora, Residem juntamente no teu peito Um demônio que ruge e um deus que chora.

Poema (Mario Quintana)

Oh! aquele menininho que dizia “Fessora, eu posso ir lá fora?” Mas apenas ficava um momento Bebendo o vento azul... Agora não preciso pedir licença a ninguém. Mesmo porque não existe paisagem lá fora: Somente cimento. O vento não mais me fareja a face como um cão [amigo... Mas o azul irreversível persiste em meus olhos. Mais poemas de Mário Quintana .. O poeta A viagem O descobridor O silêncio

PÁGINA VAZIA (Euclides da Cunha)

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Quem volta da região assustadora De onde eu venho, revendo, inda na mente, Muitas cenas do drama comovente De guerra despiedada e aterradora. Certo não pode ter uma sonora Estrofe ou canto ou ditirambo ardente Que possa figurar dignamente Em vosso álbum gentil, minha senhora. E quando, com fidalga gentileza Cedestes-me esta página, a nobreza De nossa alma iludiu-vos, não previstes Que quem mais tarde, nesta folha lesse Perguntaria: "Que autor é esse De uns versos tão mal feitos e tão tristes?" 1897 Veja também outros poemas de Euclides da Cunha ... Há nos teus olhos escuros Comparação

Sete anos de pastor Jacob servia

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William Dyce - O encontro de Jacob e Raquel Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; Mas não servia ao pai, servia a ela, E a ela só por prémio pretendia. Os dias, na esperança de um só dia, Passava, contentando-se com vê-la; Porém o pai, usando de cautela, Em lugar de Raquel lhe dava Lia.