Pular para o conteúdo principal

Aceitarás o amor como eu o encaro ?... (Mário de Andrade)

Paul-César Helleu 1859-1927, Nue allongée sur un canapé 


Aceitarás o amor como eu o encaro ?...
...Azul bem leve, um nimbo, suavemente
Guarda-te a imagem, como um anteparo
Contra estes móveis de banal presente.

Tudo o que há de melhor e de mais raro
Vive em teu corpo nu de adolescente,
A perna assim jogada e o braço, o claro
Olhar preso no meu, perdidamente.

Não exijas mais nada. Não desejo
Também mais nada, só te olhar, enquanto
A realidade é simples, e isto apenas.

Que grandeza... a evasão total do pejo
Que nasce das imperfeições. O encanto
Que nasce das adorações serenas.

Postagens mais visitadas deste blog

Erro de português (Oswald de Andrade)

Quando o português chegou Debaixo duma bruta chuva Vestiu o índio Que pena! Fosse uma manhã de sol O índio tinha despido O português "O Descobrimento do Brasil" Cândido Portinari

“— Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu.”

O Ateneu é o romance mais conhecido do escritor Raul Pompeia (1863-1895). É uma prosa poética, contada em primeira pessoa pelo personagem Sérgio, sobre sua a traumática formação dentro de um internato privado no Rio de Janeiro (o Ateneu).A sociedade da época reprimia afetividade e ternura dos homens (não tão distante dos dias atuais) de forma que as relações entre homens e mulheres e mesmo as relações entre homens era bastante prejudicada. Se de algum modo o homem vivenciar ternura por outro homem, o mesmo será então tachado de homossexual, ''mariquinhas''. O que, na época, era uma grande desonra pública. Em o Ateneu, Sérgio descreve o amigo Egbert com bastante afetividade, de uma maneira fraternal. Como ilustrado no seguinte trecho do livro: Egbert merecia-me ternuras de irmão mais velho. Tinha o rosto irregular, parecia-me formoso. De origem inglesa, tinha os cabelos castanhos entremeados de louro, uma alteração exótica na pronúncia, olhos azuis de estrias cinze

Se Eu Fosse Eu (Clarice Lispector)

A Crônica “ Se Eu Fosse Eu ” de Clarice Lispector foi publicada em 30 de novembro de 1968 pelo Jornal do Brasil. Esta e outras cronicas podem ser encontradas no livro A descoberta do Mundo , que reúne as crônicas que ela escreveu para o Jornal do Brasil no período de 1967 a 1973. SE EU FOSSE EU “Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir. E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se e