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Romance XIX ou dos maus presságios (Cecília Meireles)


A escrava que virou rainha
Zezé Motta em filme Xica da Silva


Acabou-se aquele tempo
do Contratador Fernandes.
Onde estais, Chica da Silva,
cravejada de brilhantes?
Não tinha Santa Ifigênia,
pedras tão bem lapidadas,
por lapidários de Flandres...

Sobre o tempo vem mais tempo,
Mandam sempre os que são grandes:
e é grandeza de ministros
roubar hoje como dantes.
Vão-se as minas nos navios...
Pela terra despojada,
ficam lágrimas e sangue.

Ai, quem se opusera ao tempo,
se houvesse força bastante
para impedir a desgraça
que aumenta de instante a instante!
Tristes donzelas sem dote
choram noivos impossíveis,
em sonhos fora do alcance.

Mas é direção do tempo...
E a vida, em severos lances,
empobrece a quem trabalha
e enriquece os arrogantes
fidalgos e flibusteiros
que reinam mais que a Rainha
por estas minas distantes!


Veja também outros poemas de Cecília Meireles ...

Retrato

E o meu caminho começa ...


​Romance VII ou do negro das Catas

​Romance XXX ou do riso dos tropeiros
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