Postagens

Mostrando postagens de Setembro, 2012

Seu Nome (Vander Lee)

Imagem
Quando essa boca disser o seu nome venha voando Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando Posso enxergar no seu rosto um dia tão claro e luminoso Quero provar desse gosto ainda tão raro e misterioso... Do Amor Quero que você me dê o que tiver de bom pra dar Ficar junto de você é como ouvir o som do mar Se você não vem me amar a maré cheia amor Ter você é ver o sol deitado na areia Quanto quiser entrar e encontrar o trinco trancado Saiba que meu coração é um barraco de zinco todo cuidado Não traga tempestade depois que o sol se por Nem venha com piedade porque piedade não é amor ​Ouça também ... Outra vez Falando de amor ​ As rosas não falam ​​ ​Suíte do pescador ​

A MÁSCARA (Augusto dos Anjos)

Imagem
Mascaras Eu sei que há muito pranto na existência, Dores que ferem corações de pedra, E onde a vida borbulha e o sangue medra, Aí existe a mágua em sua essência. No delírio, porém, da febre ardente Da ventura fugaz e transitória O peito rompe a capa tormentória Para sorrindo palpitar contente.

Presságio (Fernando Pessoa)

O AMOR, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer...

Liberdade (Fernando Pessoa)

Ai que prazer Não cumprir um dever, Ter um livro para ler E não fazer ! Ler é maçada, Estudar é nada. Sol doira Sem literatura O rio corre, bem ou mal, Sem edição original. E a brisa, essa, De tão naturalmente matinal, Como o tempo não tem pressa...

Amar (Carlos Drummond de Andrade)

Imagem
Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar? amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar? sempre, e até de olhos vidrados amar? Que pode, pergunto, o ser amoroso, sozinho, em rotação universal, senão rodar também, e amar? amar o que o mar traz à praia, o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha, é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Em face dos últimos acontecimentos (Drummond)

Imagem
Oh! Sejamos pornográficos (docemente pornográficos). Por que seremos mais castos Que o nosso avô português? Oh! sejamos navegantes Bandeirantes e guerreiros Sejamos tudo que quiserem Sobretudo pornográficos. A tarde pode ser triste E as mulheres podem doer Como dói um soco no olho (pornográficos, pornográficos). Teus amigos estão sorrindo De tua última resolução. Pensavam que o suicídio Fosse a última resolução. Não compreendem, coitados, Que o melhor é ser pornográfico. Propõe isso a teu vizinho, Ao condutor do teu bonde, A todas as criaturas Que são inúteis e existem, Propõe ao homem de óculos E à mulher da trouxa de roupa. Dize a todos: Meus irmãos, Não quereis ser pornográficos? (Carlos Drummond de Andrade) Leia outros poemas de Drummond ... Procura da poesia Certas palavras Consolo na praia Resíduo