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Lygia Fagundes Telles - o desafio continua

Lygia Fagundes Telles morreu no domingo em sua casa em São Paulo, aos 98 anos. Lygia foi a terceira mulher eleita para a Academia Brasileira de Letras (ABL). Em 1985, tornou-se imortal da Academia Brasileira de Letras e, em 2005, recebeu, pelo conjunto de suas obras, a consagração máxima para um autor da Língua Portuguesa, o Prêmio Camões. Eu sou uma jogadora. Meu pai era um jogador. Ele jogava com as fichas, eu jogo com as palavras. Eu acho que nós temos de arriscar, o tempo todo, até a morte. Então, arrisco e acho válido. É uma forma de transpor o círculo de giz, a fronteira. Isto, para o escritor, é sempre uma esperança. — Lygia Fagundes Telles [1] Lygia Fagundes Telles em capa da Revista "Cadernos de Literatura Brasileira" Manifesto dos Intelectuais - 1977 Durante a ditadura militar, Lygia Fagundes Telles, junto a outros colegas, liderou a elaboração de um abaixo-assinado de mais de mil signatários contra a censura. Trata
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Cancioneiro

Livro Cancioneiro da Editora L&PM Cancioneiro é uma coletânea de poemas de Fernando Pessoa (1888-1935), os poemas reunidos foram originalmente publicados esparsamente em periódicos e organizados por Jane Tutikian. Em vida, Fernando Pessoa publicou apenas cinco livros 1 , um em português — Mensagem (1934) — e os restantes em inglês. No entanto, sua obra é muito extensa, indo muito alem dos livros publicados. Ele publicava regularmente o seu trabalho em revistas e teve vários poemas inéditos publicados postumamente. Ele deixou mais de 25 mil folhas com texto que são espólio à guarda da Biblioteca Nacional de Portugal. 2 A característica principal da obra de Fernando Pessoa é a tentativa de olhar o mundo de uma forma múltipla, ele foi vários poetas ao mesmo tempo, ele criou vários heterônimos. Seus heterônimos tinham personalidades próprias, os mais conhecidos são Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Em Cancioneiro constam poemas assinados po

Poema Sujo (Ferreira Gullar)

Conheça um pouco da história do poema Poema Sujo de Ferreira Gullar. Neste vídeo, o autor conta como escreveu o poema, enquanto estava exilado durante a ditadura militar e como o poema o ajudou a retornar ao Brasil. Sentia-me dentro de um cerco que se fechava. Decidi, então, escrever um poema que fosse o meu testemunho final, antes que me calassem para sempre. — Ferreira Gullar A seguir um Trecho do Poema Poema Sujo (Ferreira Gullar) Introduzo na poesia A palavra diarréia. Não pela palavra fria Mas pelo que ela semeia. Quem fala em flor não diz tudo. Quem me fala em dor diz demais. O poeta se torna mudo sem as palavras reais. No dicionário a palavra é mera idéia abstrata. Mais que palavra, diarréia é arma que fere e mata. Que mata mais do que faca, mais que bala de fuzil, homem, mulher e criança no interior do Brasil. Por exemplo, a diarréia, no Rio Grande do Norte, de cem crianças que nascem, setenta e seis leva á morte. É como uma b

​Coração (Maria Thereza Noronha)

Pintura Retirantes de Candido Portinari Coração Morreu de faca no peito quanto o coração só lhe falavade amor. A faca se abriu em chaga vermelha e meio com jeito de flor. Morreu de febre no leito quando o coração já lhe falhava no peito. Deixou órfãos e viúva. Partiu num dia de chuva sem palavras. Morreu de foice no eito enquanto o coração lhe sussurrava: — que proveito? Deu por perdida a batalha: a sua, não o que restava a ser feito. Morreu de fome e direito negado, quando o coração só lhe dizia CHEGA! E o esqueleto já se entrevia antes de enterrado. Morreu de omissão: assassinado. Morreu de fúria e despeito quando o coração se lhe inchava no peito. E a epígrafe se destacava: "Não será de ninguém o que é meu. De direito!" - Maria Thereza Noronha

Motivo

Eu canto porque o instante existe e a minha vida está completa. Não sou alegre nem sou triste: sou poeta. Irmão das coisas fugidias, não sinto gozo nem tormento. Atravesso noites e dias no vento. Se desmorono ou se edifico, se permaneço ou me desfaço, — não sei, não sei. Não sei se fico ou passo. Sei que canto. E a canção é tudo. Tem sangue eterno a asa ritmada. E um dia sei que estarei mudo: — mais nada. — Poema de Cecília Meireles retirado do livro Viagem (1939) Livro Viagem de Cecília Meireles Editora Global. Leia outros poemas de Cecília Meireles ... E o meu caminho começa ... Romance XIX ou dos maus presságios Herança

Profundamente (Manuel Bandeira)

Foto: Michael Dantas/AFP Quando ontem adormeci Na noite de São João Havia alegria e rumor Estrondos de bombas luzes de Bengala Vozes, cantigas e risos Ao pé das fogueiras acesas. No meio da noite despertei Não ouvi mais vozes nem risos Apenas balões Passavam, errantes Silenciosamente Apenas de vez em quando O ruído de um bonde Cortava o silêncio Como um túnel. Onde estavam os que há pouco Dançavam Cantavam E riam Ao pé das fogueiras acesas? — Estavam todos dormindo Estavam todos deitados Dormindo Profundamente. Quando eu tinha seis anos Não pude ver o fim da festa de São João Porque adormeci Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo Minha avó Meu avô Totônio Rodrigues Tomásia Rosa Onde estão todos eles? — Estão todos dormindo Estão todos deitados Dormindo Profundamente. In " Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 2001.

Romanceiro da Inconfidência

...Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda... In Romanceiro da Inconfidência de Cecília Meireles Romanceiro da Inconfidência é uma coletânea de poemas de Cecília Meireles (1901-1964), publicada em 1953, que conta a História de Minas dos inícios da colonização no século XVII até a Inconfidência Mineira (revolta separatista ocorrida em fins do século XVIII na então Capitania de Minas Gerais). Cecília aborda a escravidão na região central do planalto em episódios da exploração do ouro e dos diamantes no século XVIII. O centro da coletânea é dedicado ao destino dos heróis da chamada "Inconfidência Mineira" - Joaquim José da Silva Xavier , Tomás Antônio Gonzaga , sua noiva Marília de Dirceu bem como de outras figuras históricas como D. Maria I. A obra assume o lado dos derrotados (transformados depois em heróis da Independência do Brasil) denunciando o sistema colonial que favorece a exploração d