2 de ago de 2017

Hibisco Roxo


Capa do livro "Hibisco Roxo" @Companhia das Letras
Hibisco Roxo é o primeiro romance da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. [1] Violência doméstica é o tema central da obra. A história é narrada pela adolescente Kambili, que junto a seu irmão e sua mãe sofrem por conta do fanatismo religioso e violência por parte do seu pai Eugene.
   

A forma como a escritora trata a dependência emocional das vítimas numa relação de violência doméstica é muito realista e acredito que esse tipo de leitura pode fazer com que as pessoas tenham mais empatia e conhecimento sobre relacionamentos abusivos. Tomar conhecimento dessa dependência explica uma recente alteração na Lei Maria da Penha, agora a denúncia de terceiros é o suficiente para abrir uma ação contra um agressor [2]. Antes, para abrir a ação contra um agressor, era necessária a denúncia da vítima. Se ela fosse agredida, mas não denunciar o companheiro, nada poderia ser feito. E ainda havia a possibilidade de a mulher retirar a queixa diante das pressões do agressor. Esse foi um grande passo na nossa legislação para o enfrentamento da violência doméstica. É preciso entender a complexidade das relações de abuso.


Síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação (tortura, etc), passa a ter simpatia e até mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. [3]


Certamente a maioria das pessoas é bem familiar a esse distúrbio e deve passar por calafrios imaginando a dor que alguém possa ter passado até chegar a esse estado. Vítimas de violência doméstica chegam a esse estado muitas vezes, mas as pessoas já não parecem ter tanta empatia assim nesses casos. E essa falta de empatia se expressa quando dizem coisas do tipo:


❝ Mulher que apanha do marido e não larga dele é porque gosta de apanhar ❞  ou
❝porque não larga ele? porque se submete a isso❞  


A culpa é transferida para a vítima, a empatia some quando se trata de violência doméstica. Essas pessoas ignoram a dependência emocional e o medo da vítima. Um medo muito justificado, já que a maioria dos assassinatos das mulheres vítimas de violência doméstica ocorrem no momento que elas decidem dar um basta na relação. Isso sem contar com a dependência financeira, algo que se torna ainda mais crítico quando o casal tem filhos.


A seguir uma palestra sobre violência doméstica de Leslie Steiner ao TED [4]. A palestra é muito esclarecedora sobre toda a complexidade das relações abusivas e o porquê é tão difícil sair de uma relação de abuso. Leslie Steiner esteve em um relacionamento com um homem que constantemente a agredia e ameaçava sua vida. Nesta palestra fala sobre o seu relacionamento e corrige más interpretações que muitas pessoas têm a respeito das vítimas de violência doméstica.

Leslie Morgan - Por que as vítimas de violência doméstica não vão embora?




Assista com legenda em português  aqui Leslie-TED


Mais sobre o tema ...

1. Hibisco Roxo


2. Lei Maria da Penha vale mesmo sem a denúncia da vítima


3. Sindrome de Estocolmo


4. TED - Violência Doméstica - Leslie Steiner



29 de jun de 2017

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos



Um dia a areia branca
Teus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar

Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar

Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar
De um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade
De ficar mais um instante

As luzes e o colorido
Que você vê agora
Nas ruas por onde anda
Na casa onde mora

Você olha tudo e nada
Lhe faz ficar contente
Você só deseja agora
Voltar pra sua gente

18 de abr de 2017

Mentiras (Adriana Calcanhoto)





Nada ficou no lugar
Eu quero quebrar essas xícaras
Eu vou enganar o diabo
Eu quero acordar sua família

Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu rosto
Eu quero roubar no seu jogo
Eu já arranhei os seus discos

Que é pra ver se você volta
Que é pra ver se você vem
Que é pra ver se você olha
Pra mim

10 de abr de 2017

O guardador de Rebanhos




XXI

Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe um paladar,
E se a terra fosse uma coisa para trincar
Seria mais feliz um momento…

Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural…
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva…

O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica…
Assim é e assim seja…


Alberto Caieiro, heterônimo de Fernando Pessoa em O guardado de Rebanhos


Leia outros poemas de Fernando Pessoa





22 de mar de 2017

DESTRUIÇÃO (Carlos Drummond de Andrade)

Imagem da Minissérie Os Maias 

Os amantes se amam cruelmente
e com se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro, refletido.
Dois amantes que são? Dois inimigos.

Amantes são meninos estragados
pelo mimo de amar: e não percebem
quanto se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo volve a nada.

Nada, ninguém. Amor, puro fantasma
que os passeia de leve, assim a cobra
se imprime na lembrança de seu trilho.

E eles quedam mordidos para sempre.
Deixaram de existir mas o existido
continua a doer eternamente.



Leia outros poemas de Drummond ...

Quadrilha

Congresso Internacional do Medo

Em face dos últimos acontecimentos

Mãos Dadas

XIII - Leve (Fernando Pessoa)




Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo


Poema de Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.





21 de mar de 2017

Senhor Cidadão (Tom Zé)



Senhor cidadão
senhor cidadão
Me diga, por quê
me diga por quê
você anda tão triste?
tão triste
Não pode ter nenhum amigo
senhor cidadão
na briga eterna do teu mundo
senhor cidadão
tem que ferir ou ser ferido
senhor cidadão
O cidadão, que vida amarga
que vida amarga.

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantos quilos de medo,
com quantos quilos de medo
se faz uma tradição?

Oh senhor cidadão,
eu quero saber, eu quero saber
com quantas mortes no peito,
com quantas mortes no peito
se faz a seriedade?

2 de mar de 2017

LIBERDADE (Fernando Pessoa)

literatura-brasileira
Adicionar legenda


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

1 de mar de 2017

Também os mortos (Eunice Arruda)

Imagem de Jeff juit
Imagem de Jeff Juit  

     

                                     Para Lúcia Ribeiro da Silva

Também os mortos
me acompanham

Entre um e outro
degrau

Paramos. Como quem
descansa um fardo

Ao cair da tarde
— xale vinho aquecendo o corpo —
os mortos me acompanham

Entre um e outro
degrau

Mas
não me toquem — ainda
estou sonhando —
...


Poema de Eunice Arruda, para saber um pouco mais sobre a autora

28 de fev de 2017

Poemas Escolhidos (Mia Couto)

Mia Couto (ou António Emílio Leite Couto) é um biólogo, jornalista e escritor de Moçambique, membro correspondente da Academia Brasileira de Letras. Ele destacou-se tanto na prosa como na poesia e já coleciona uma série de prêmios literários, entre eles o Prêmio Camões de 2013 e o Neustadt International Prize de 2014

Um dos juris do Prêmio Camões (Lusa J. C. Vasconcelos) justificou a escolha de Mia Couto da seguinte forma:
"Ao longo de 30 anos de publicação, ele construiu uma vasta obra ficcional caracterizada pela inovação estilística e profunda humanidade, o que tem sabido renovar na sua produção" (Lusa J. C. Vasconcelos)
O seu primeiro romance Terra sonâmbula (2007) foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri especial criado pela Feira do Livro do Zimbábue. Este já foi adicionado à minha meta de Leituras de 2017

Mia Couto ao lado de nomes como Chimamanda Adichie e Ondjaki fazem parte de uma nova geração de escritores africanos com ampla projeção internacional. Em uma entrevista à Revista de História, quando indagado sobre a recente projeção internacional da Literatura Africana ele responde:  
RH – Essa nova geração de africanos indica que o mundo está descobrindo uma literatura que antes era ignorada, ou de fato há uma geração privilegiada de grandes nomes surgindo?
Mia Couto ❝ As duas coisas. Eu acho que a primeira literatura africana era de grande qualidade, mas era uma literatura muito marcada, muito datada. Era uma literatura de afirmação, e eu acho que agora os escritores novos africanos estão mais empenhados em serem escritores, independentemente da identificação africana. Muitos moram fora da África. Como essa escritora, Chimamanda Adichie, que é para mim uma das grandes vozes da África hoje. A impressão é de que esses escritores querem ficar mais livres; proclamarem-se africanos deu-lhes mais liberdade. Por outro lado, eu acho que o resto do mundo tem se interessado mais pela África. O Brasil, por exemplo, está se reencontrando melhor com aquele seu lado africano, conhecendo o que está dentro e o que está fora do Brasil. Portanto, acho que estas são as duas coisas que estão acontecendo. ❞ 

Recentemente li o livro Poemas Escolhidos, um livro de poemas selecionados por Mia Couto. Esse foi o primeiro livro que eu li do autor, e será, certamente, o primeiro de muitos. Eu amo poesia, embora eu conheça e leia muitos outros autores, eu acabo quase sempre me apaixonando por alguns poemas e sendo indiferente aos muitos outros, lendo Mia Couto eu tive uma identificação imediata com o livro do começo ao fim, acredito que não apenas pela poesia em si, bastante sensível e humana, mas também pela sua linguagem nova, diferente do que eu estava habituada.


Mia Couto
Poemas Escolhidos - Mia Couto 

A seguir leia três poemas extraídos do livro Poemas Escolhidos: 

27 de fev de 2017

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo (Lô Borges)




Vento solar e estrelas do mar
A terra azul da cor de seu vestido
Vento solar e estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo

Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

24 de fev de 2017

Amor é um fogo que arde sem se ver



Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?

(Luís Vaz de Camões)




Poema retirado de SONETOS de Luís Vaz de Camões.
Obra disponível em domínio público em SONETOS-Luís Vaz de Camões


Leia outros poemas de Camões ...

Sete anos de pastor Jacob servia

Alma minha gentil, que te partiste

Quem diz que amor é falso

13 de fev de 2017

O pobre poema (Mario Quintana)

Eu escrevi um poema horrível!
É claro que ele queria dizer alguma coisa...
Mas o quê?
Estaria engasgado?
Nas suas meias-palavras havia no entanto uma ternura
mansa como a que se vê nos olhos de uma criança
doente, uma precoce, incompreensível gravidade
de quem, sem ler os jornais,
soubesse dos seqüestros
dos que morrem sem culpa
dos que se desviam porque todos os caminhos estão
[tomados...
Poema, menininho condenado,
bem se via que ele não era deste mundo
nem para este mundo...
Tomado, então, de um ódio insensato,
esse ódio que enlouquece os homens ante a
[insuportável
verdade, dilacerei-o em mil pedaços.
E respirei...
Também! quem mandou ter ele nascido no mundo
[errado?


Poema extraído do livro Baú de espantos de Mário Quintana.


Mário Quintana




Outros poemas de Mário Quintana ...

Bilhete

O Poeta

7 de fev de 2017

Dialética (Vinicius de Moraes)

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...


Vinicius de Moraes

Veja também outros poemas de Vinicius de Moraes ...

 A hora íntima 

Soneto da Fidelidade 

Aquarela

Soneto da Hora Final


2 de fev de 2017

a flor e a náusea

Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.

24 de jan de 2017

Pesadelo

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto

De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha aí

(Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)




Ouça também ... ♪ ♫ ♩ ♫ ♬ ♪ ♫


Outra vez

Falando de amor

Jõao e Maria

​​​Suíte do pescador

23 de jan de 2017

NO CAMINHO COM MAIAKÓVSKI (Eduardo Alves da Costa)

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakóvski.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.


Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na Segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

20 de jan de 2017

Ora (direis) ouvir estrelas!

Constelação em Arte Stellarium

XII

Sonhei que me esperavas. E, sonhando,
Saí, ansioso por te ver: corria...
E tudo, ao ver-me tão depressa andando,
Soube logo o lugar para onde eu ia.

E tudo me falou, tudo! Escutando
Meus passos, através da ramaria,
Dos despertados pássaros o bando:
"Vai mais depressa! Parabéns!" dizia.

Disse o luar: "Espera! que eu te sigo:
Quero também beijar as faces dela!"
E disse o aroma: "Vai, que eu vou contigo!"

E cheguei. E, ao chegar, disse uma estrela:
"Como és feliz! como és feliz, amigo,
Que de tão perto vais ouvi-la e vê-la!"

XIII

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso"! E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora! "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las:
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

(...)


5 de jan de 2017

Memorial de Maria Moura (Rachel de Queiroz)

Desafio Mulheres da ABL


Aos 82 anos Rachel de Queiroz publica Memorial de Maria Moura, considerada a obra-prima da autora. O romance apresenta a saga de uma mulher no sertão nordestino contra a submissão feminina na sociedade do século XIX.

Amei ler Memorial de Maria Moura, sempre tive curiosidade de ler o livro depois de assistir a uma minissérie (1998) baseada nessa obra. A minissérie foi um grande sucesso de audiência e alavancou a venda do romance de Rachel de Queiroz.

Imagem de Minissérie Memorial de Maria Moura 

A leitura do romance me causou uma certa estranheza por dois motivos, o primeiro é: Maria Moura vira uma fora da lei, mas ao mesmo tempo que você torce por ela você se sente mal por esperar dela uma moralidade superior. Mas de certa forma (nesse meio) ela tem sim uma moralidade superior. Um exemplo disso é não aceitar escravos como ainda era comum na época, tornando livres todos aqueles que desejassem seguir seu bando.


“Pois eu nunca andei com cativo. A morte da gente é a alforria deles. Se eu tenho algum negro bom ao meu serviço, alforrio primeiro. Dizia meu pai: “Se perde um escravo e se ganha um amigo”. Ficou sendo essa a minha lei. ” 
(Trecho de Memorial de Maria Moura, 1992)


O segundo motivo é: Ela é uma personagem muito forte mas ao mesmo tempo ela tem momentos de fraqueza num relacionamento que quase a destrói, é inicialmente muito decepcionante pois você acaba esquecendo que ela é humana e passível a cometer erros também, por fim, isso apenas enriquece a obra.