20 de dez de 2016

Poema em linha reta (Álvaro de Campos)



Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.


E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.


12 de dez de 2016

HAI KAI (Paulo Leminski)

Paulo Leminski por Fraga


hai

Eis que nasce completo
e, ao morrer, morre germe,
o desejo, analfabeto,
de saber como reger-me,
ah, saber como me ajeito
para que eu seja quem fui,
eis o que nasce perfeito
e, ao crescer, diminui.

kai

Mínimo templo
para um deus pequeno,
aqui vos guarda,
em vez da dor que peno,
meu extremo anjo de vanguarda.

De que máscara
se gaba sua lástima,
de que vaga
se vangloria sua história,
saiba quem saiba.

A mim me basta
a sombra que se deixa,
o corpo que se afasta.


Poema extraído do livro "Distraídos Venceremos" do poeta curitibano Paulo Leminski (1944-1989).


Outros poemas de Leminski ..

Quem sou eu pra falar com deus?

Mal rabisco ...

8 de dez de 2016

Pensamentos que reúnem um tema (Adalgisa Nery)

Fonte: http://www.elfikurten.com.br/2013/05/adalgisa-nery.html
Adalgisa Nery


Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo

28 de nov de 2016

Tu Queres Sono: Despe-te dos Ruídos (Ana Cristina Cesar)

Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e a dor (não ouças)
que se prepara para carpir tua vigília, e os cantos que
esqueceram teus braços e tantos movimentos
que perdem teus silêncios, o os ventos altos
que não dormem, que te olham da janela
e em tua porta penetram como loucos
pois nada te abandona nem tu ao sono.

Poetisa
Ana Cristina Cesar



Leia outros poemas de Ana Cristina Cesar ...


​A ponto de partir

Contagem regressiva

15 de nov de 2016

Se Eu Fosse Eu (Clarice Lispector)



A Crônica “Se Eu Fosse Eu” de Clarice Lispector foi publicada em 30 de novembro de 1968 pelo Jornal do Brasil. 



SE EU FOSSE EU

Quando não sei onde guardei um papel importante e a procura se revela inútil, pergunto-me: se eu fosse eu e tivesse um papel importante para guardar, que lugar escolheria? Às vezes dá certo. Mas muitas vezes fico tão pressionada pela frase “se eu fosse eu”, que a procura do papel se torna secundária, e começo a pensar. Diria melhor, sentir.

       E não me sinto bem. Experimente: se você fosse você, como seria e o que faria? Logo de início se sente um constrangimento: a mentira em que nos acomodamos acabou de ser levemente locomovida do lugar onde se acomodara. No entanto já li biografias de pessoas que de repente passavam a ser elas mesmas, e mudavam inteiramente de vida. Acho que se eu fosse realmente eu, os amigos não me cumprimentariam na rua porque até minha fisionomia teria mudado. Como? Não sei.

       Metade das coisas que eu faria se eu fosse eu, não posso contar. Acho, por exemplo, que por certo motivo eu terminaria presa na cadeia. E se eu fosse eu daria tudo o que é meu, e confiaria o futuro ao futuro.

       “Se eu fosse eu” parece representar o nosso maior perigo de viver, parece a entrada nova do desconhecimento. No entanto tenho a intuição de que, passadas as primeiras chamadas loucuras da festa que seria, teríamos enfim a experiência do mundo. E a nossa dor, aquela que aprendemos a não sentir. Mas também seríamos por vezes tomados de um êxtase de alegria pura e legítima que mal posso adivinhar. Não, acho que já estou de algum modo adivinhando porque me senti sorrindo e também senti uma espécie de pudor que se tem diante do que é grande demais.

(Clarice Lispector)


O livro “A descoberta do Mundo” reúne as crônicas que Clarice Lispector escreveu para o Jornal do Brasil no período de 1967 a 1973.

4 de nov de 2016

Estado de Poesia (Chico César)



Para viver em estado de poesia
Me entranharia nestes sertões de você
Para deixar a vida que eu vivia
De cigania antes de te conhecer
De enganos livres que eu tinha porque queria
Por não saber que mais dia menos dia
Eu todo me encantaria pelo todo do seu ser

Pra misturar meia noite meio dia
E enfim saber que cantaria a cantoria
Que há tanto tempo queria
A canção do bem querer

É belo vês o amor sem anestesia
Dói de bom, arde de doce
Queima, acalma
Mata, cria
Chega tem vez que a pessoa que enamora
Se pega e chora do que ontem mesmo ria
Chega tem hora que ri de dentro pra fora
Não fica nem vai embora
É o estado de poesia

(Chico César)

25 de out de 2016

BookCrossing

BookCrossing consiste em deixar livros em locais públicos para que sejam lidos por outras pessoas que a seguir farão o mesmo ... . A ideia é tornar o mundo uma imensa biblioteca livre.

Como funciona?


Ao encontrar um livro do BookCrossing entre com o n° BCID na página www.bookcrossing.com e descubra onde o livro esteve, quem leu o livro e os outros leitores saberão que o livro passou por suas mãos e está seguindo a corrente. 





Você também pode registrar seus livros em www.bookcrossing.com, cole e etiquete com o número de identificação BCID fornecidos pelo site e liberte o seu livro em um lugar público para que outras pessoas possam ler e continuar essa aventura. Faça parte dessa experiência mista de surpresa, altruísmo e gosto pela leitura!




12 de out de 2016

Procura da Poesia (Drummond)




Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.

5 de out de 2016

Mãos Dadas (Drummond)


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Drummond




Veja também outros poemas de Drummond ...



O seu santo nome

Sentimento do mundo



24 de set de 2016

Primeiro caderno do aluno de poesia

Oswald de Andrade
Pintura de Di Cavalcanti


Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm


(Oswald de Andrade)



Poema extraído do livro Primeiro caderno do aluno de poesia de Oswald de Andrade.

16 de ago de 2016

Testamento (Manuel Bandeira)

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

10 de ago de 2016

Romance em doze linhas (Bruna Beber)

quanto falta pra gente se ver hoje
quanto falta pra gente se ver logo
quanto falta pra gente se ver todo dia
quanto falta pra gente se ver pra sempre
quanto falta pra gente se ver dia sim dia não
quanto falta pra gente se ver às vezes
quanto falta pra gente se ver cada vez menos
quanto falta pra gente não querer se ver
quanto falta pra gente não querer se ver nunca mais
quanto falta pra gente se ver e fingir que não se viu
quanto falta pra gente se ver e não se reconhecer
quanto falta pra gente se ver e nem lembrar que um dia se conheceu


Bruna Beber (foto: Reprodução Facebook)


Bruna Beber é um poetisa carioca. Publicou seu livro de estréia "a fila sem fim dos demônios descontentes" em 2006, de lá pra cá vieram Rapapés & apuposBalésRua da PadariAConheça um pouco mais sobre a escritora em sua página pessoal Avoa dinossauro ou na entrevista concedida a Fabiane Ferreira Entrevista Bruna Beber.

5 de ago de 2016

De mais ninguém (Marisa Monte)



Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém.
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor.
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou a dor é minha,
A dor é de quem tem.

É meu troféu, é o que restou,
É o que me aquece sem me dar calor.
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto, a casa está vazia,
A cozinha, o corredor.
Se nos meus braços ela não se aninha,
A dor é minha.

Se ela me deixou, a dor
É minha só, não é de mais ninguém
Aos outros eu devolvo a dó
Eu tenho a minha dor
Se ela preferiu ficar sozinha,
Ou já tem um outro bem
Se ela me deixou,
A dor é minha,
A dor é de quem tem
Mmmh... mmmh...

É o meu lençol, é o cobertor.
É o que me aquece sem me dar calor
Se eu não tenho o meu amor,
Eu tenho a minha dor
A sala, o quarto,
A casa está vazia,
A cozinha, o corredor.
Se nos meus braços,
Ela não se aninha,
A dor é minha, a dor.
Mmmh mmmh...


Ouça também ... ♪ ♫ ♩ ♫ ♬ ♪ ♫

Outra vez

Falando de amor

As rosas não falam

​​​Suíte do pescador

28 de jul de 2016

Descobrindo e Amando Nélida Piñon

Nélida Piñon é uma escritora brasileira nascida no Rio de Janeiro. Imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL), desde 1989, e foi a primeira (e única) mulher a presidir a instituição. Nélida escreveu diversos livros. Entre os mais consagrados estão: os romances A República dos Sonhos e Vozes no Deserto, ambos traduzidos para o inglês, a coletânea de contos O Calor das Coisas e a coletânea, quase autobiográfica, O Pão de Cada Dia – Fragmentos.
O Pão de Cada Dia é uma coleção de pequenos textos de Nélida, escritos ao longo de toda a sua vida. Esses excertos falam sobre quatro temas centrais: a família e suas origens, viagens pela Europa, a arte literária em si e seus escritores, religiosidade.
Sobre a família, logo no começo do livro descobre-se que a autora é filha de um pai da Galícia1, região da Espanha que fascina Nélida, assim como a Catalunha2. A mãe da escritora era uma mineira de São Lourenço, portanto, Nélida cresceu no meio de  culturas distintas e soube aproveitar o melhor de cada uma delas.

“Na Catalunha a viajante sente-se em casa. Cercada pelos seus cenários apaixonantes, o coração sobressalta-lhe.”

27 de jul de 2016

SENTIMENTO DO MUNDO (Drummond)

Sentimento do Mundo

Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

4 de jul de 2016

Verdade seja dita (Mel Duarte)



Verdade seja dita
Você que não mova sua pica pra impor respeito a mim.
Seu discurso machista, machuca
E a cada palavra falha
Corta minhas iguais como navalha
NINGUÉM MERECE SER ESTUPRADA!
Violada, violentada
Seja pelo abuso da farda
Ou por trás de uma muralha
Minha vagina não é lixão
Pra dispensar as tuas tralhas

Canalha!

Tanta gente alienada
Que reproduz seu discurso vazio
E não adianta dizer que é só no Brasil
Em todos os lugares do mundo,
Mulheres sofrem com seres sujos
Que utilizam da força quando não só, até em grupos!
Praticando sessões de estupros que ficam sem justiça.

21 de jun de 2016

Pra Ter o Que Fazer (Clarice Falcão)

Nada gosta de não fazer nada
Todo telefone quer tocar
Uma janela é tão infeliz fechada
Quanto um carro sempre no mesmo lugar

Um relógio parado não existe
Um som sem som tem uma vida ruim
O apêndice é o órgão mais triste
Por que comigo não vai ser assim?

E aí eu marco três consultas
Antes de adoecer
E aí eu faço um estardalhaço
Só pra ter o que fazer

E eu me complico toda muito
Pra depois me resolver
E essa história demora horas
Só pra ter o que fazer




15 de jun de 2016

Tão cedo passa tudo quanto passa!

Fernando Pessoa por Hermenegildo Sábat.
Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.


Tão Cedo


Tão cedo tudo quanto passa!
Morre tão jovem ante os deuses quanto
Morre! Tudo é tão pouco!
Nada se sabe, tudo se imagina.
Circunda-te de rosas, ama, bebe
E cala. O mais é nada.


Poema extraído de 'Poemas de Ricardo Reis', obra disponível para download em Poemas de Ricardo Reis (Domínio Público)

Ricardo Reis (heterônimo de Fernando Pessoa)



19 de mai de 2016

Aflição de ser eu e não ser outra ... (Hilda Hilst)

Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.

Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)

Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel

Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.


Hilda Hilst

18 de mai de 2016

Cajuína (Caetano Veloso)



Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina

Caetano, Torquato e Capinan
Conheça a história por trás da música Cajuína em Laparola - Cajuína.

12 de mai de 2016

ERRO (Machado de Assis)

https://pixabay.com/pt/papoila-vermelha-papaver-rhoeas-143484/
Adicionar legenda


Erro é teu. Amei-te um dia
Com esse amor passageiro
Que nasce na fantasia
E não chega ao coração;
Não foi amor, foi apenas
Uma ligeira impressão;
Um querer indiferente,
Em tua presença, vivo,
Morto, se estavas ausente,
E se ora me vês esquivo,
Se, como outrora, não vês
Meus incensos de poeta
Ir eu queimar a teus pés,
É que, — como obra de um dia,
Passou-me essa fantasia.

10 de mai de 2016

Romance XXIV ou da Bandeira da Inconfidência (Cecília Meireles)



Através de grossas portas,
sentem-se luzes acesas,
— e há indagações minuciosas
dentro das casas fronteiras:
olhos colados aos vidros,
mulheres e homens à espreita,
caras disformes de insônia,
vigiando as ações alheias.
Pelas gretas das janelas,
pelas frestas das esteiras,
agudas setas atiram
a inveja e a maledicência.
Palavras conjeturadas
oscilam no ar de surpresas,
como peludas aranhas
na gosma das teias densas,
rápidas e envenenadas,
engenhosas, sorrateiras.

24 de abr de 2016

Necessito de um ser ...

Soneto (Mário Faustino)


Necessito de um ser, um ser humano
Que me envolva de ser
Contra o não ser universal, arcano
Impossível de ler

À luz da lua que ressarce o dano
Cruel de adormecer
A sós, à noite, ao pé do desumano
Desejo de morrer.

Necessito de um ser, de seu abraço
Escuro e palpitante
Necessito de um dormente e lasso

Contra meu ser arfante:
necessito de um ser sendo a meu lado
Um ser profundo e aberto, um ser amado.


Literatura Piauiense
Mário Faustino

20 de abr de 2016

Yoga

Yoga vem de uma palavra em sânscrito (yuj) que significa unir. A essência do Yoga busca a união do indivíduo (ser) ao Ser (seu potencial pleno de autorrealização, que pode ter muitos nomes conforme religião e filosofia).

Existem diversas escolas de Yoga no mundo. A primeira pessoa a escrever sobre práticas ióguicas foi Patanjali, entre 200 a.C. e 400 d.C..

O Yoga está muito associado à imagem de posturas físicas complexas (chamadas asanas). Mas, na verdade, os asanas foram desenvolvidos porque os monges ficavam muito tempo meditando e precisavam alongar o corpo. Assim eles alongavam o corpo para se concentrar por mais horas de meditação. De certa forma, eles trouxeram a meditação para o corpo, por meio do desenvolvimento das posturas.


Yoga cura doenças? Yoga emagrece? Yoga é só para relaxar?

17 de mar de 2016

Com licença poética (Adélia Prado)

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.


https://outrospassos.milharal.org/2014/08/25/amar-sem-jejum-de-sentimento/
Adélia Prado


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​Motivo​ de Cecília Meireles

Mascarados de Cora Coralina

Fanatismo de Florbela Espanca

Pensamentos que reúnem um tema de Adalgisa Nery.

7 de mar de 2016

Drumundana (Alice Ruiz)

e agora maria?

o amor acabou
a filha casou
o filho mudou
teu homem foi pra vida
que tudo cria
a fantasia
que você sonhou
apagou
à luz do dia

e agora maria?
vai com as outras
vai viver
com a hipocondria


Paródia do poema “José”, de Carlos Drummond de Andrade.


24 de fev de 2016

MULHER AO ESPELHO (Cecília Meireles)

Mulher em frente ao espelho Autor: Pablo Picasso  

Hoje, que seja esta ou aquela,
pouco me importa.
Quero apenas parecer bela,
pois, seja qual for, estou morta.

Já fui loura, já fui morena,
já fui Margarida e Beatriz,
já fui Maria e Madalena.
Só não pude ser como quis.

Que mal fez essa cor fingida
do meu cabelo, e do meu rosto,
se é tudo tinta: o mundo, a vida,
o contentamento, o desgosto?

10 de fev de 2016

O LAMENTO DAS COISAS (Augusto dos Anjos)


Adeus a Raiva — Leonid Afremov
Pintura de Leonid Afremov

Triste, a escutar, pancada por pancada,
A sucessividade dos segundos,
Ouço, em sons subterrâneos, do Orbe oriundos
O choro da Energia abandonada!

É a dor da Força desaproveitada
-- O cantochão dos dínamos profundos,
Que, podendo mover milhões de mundos,
Jazem ainda na estática do Nada!

É o soluço da forma ainda imprecisa...
Da transcendência que se não realiza...
Da luz que não chegou a ser lampejo...

E é em suma, o subconsciente aí formidando
Da Natureza que parou, chorando,
No rudimentarismo do Desejo!


Poema extraído de Eu e Outras Poesias, de Augusto dos Anjos.
Obra completa disponível para download em Eu e outras Poesias.


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Psicologia de um vencido

A MÁSCARA