2 de out de 2015

A Escravidão Branca no Brasil

Escravizar significa “reduzir a condição de escravo; subjugar, sujeitar.”. É importante ressaltar dois pontos nesta definição:

1. As palavras “escravo” e “slave” (em inglês) têm o mesmo significado e a mesma origem. Ambas vieram de “eslavo”, povo europeu branco de olhos claros, que foi escravizado várias vezes. Ou seja, a escravidão não é restrita a uma única etnia ou cor de pele;

2. A definição de “escravizar” é envolver “subjugar” e “sujeitar”, mas não necessariamente envolve só violência física. As maneiras para reduzir alguém à condição de escravo podem ser muitas e envolver uma combinação de fatores (psicológico, financeiro, social, etc.).

Gostamos de nos iludir pensando que escravidão é apenas um fato histórico. Mas ela continua forte até hoje. Talvez até mais forte que no passado. Para ver a face escravidão moderna em vários lugares do globo, assistam a palestra tocante da fotógrafa Lisa Kristine.



Jovens Polacas – A Escravidão Branca no Brasil

Para descobrir outra face da escravidão no Brasil, destaca-se o livro “Jovens Polacas – Da miséria na Europa à prostituição no Brasil” da escritora brasileira Esther Largman.


11 de set de 2015

O Nosso Livro (Florbela Espanca)

Livro do meu amor, do teu amor,
Livro do nosso amor, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com jeito,
Como se fossem pétalas de flor.

Olha que eu outro já não sei compor
Mais santamente triste, mais perfeito
Não esfolhes os lírios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dor!

Livro de mais ninguém! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sois!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro docemente:
"Versos só nossos, só de nós os dois!..."


Florbela Espanca (1894 — 1930) foi uma grande poetisa portuguesa. Ao longo de seus breves 36 anos de vida, escreveu poesia, contos, um diário e epístolas; traduziu vários romances e colaborou em revistas e jornais.


Poetisa portuguesa Florbela Espanca por Botelho.

Leia outros poemas de Florbela Espanca ...

Fanatismo (Florbela Espanca)

Livros de Florbela Espanca


4 de set de 2015

Suave Mari Magno (Machado de Assis)


Baleia in Nelson Pereira dos Santos’ Vidas Secas (1963).

Lembra-me que, em certo dia,
Na rua, ao sol de verão,
Envenenado morria
Um pobre cão.

Arfava, espumava e ria,
De um riso espúrio e bufão,
Ventre e pernas sacudia
Na convulsão.

Nenhum, nenhum curioso
Passava, sem se deter,
Silencioso,

Junto ao cão que ia morrer,
Como se lhe desse gozo
Ver padecer.

Poema extraído de Ocidentais de Machado de Assis, obra disponível para download em Domínio Público(Ocidentais).



Veja também outros poemas de Machado de Assis ...


Soneto

Vai-te

A Carolina

ERRO

26 de ago de 2015

A medida do abismo (Vinicius de Moraes)

Não é o grito
A medida do abismo?
Por isso eu grito
Sempre que cismo
Sobre tua vida
Tão louca e errada...
- Que grito inútil!
- Que imenso nada!



Veja também outros poemas de Vinicius de Moraes ...

 A hora íntima 

Dialética

Soneto da Fidelidade 

Aquarela

Soneto da Hora Final

25 de jul de 2015

Rachel de Queiroz

Biografia de Rachel de Queiroz
Rachel de Queiroz

Rachel de Queiroz (1910 — 2003) foi a primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras em 1977 e também a primeira mulher a receber o Prêmio Camões em 1993. Destacou-se na ficção social nordestina e uma de suas principais temáticas foi a posição da mulher na sociedade.

Aos vinte anos, publica o seu primeiro livro O Quinze (1930), romance que mostra a luta do povo nordestino contra a seca e a miséria. O Quinze chamou a atenção da crítica e do público projetando Rachel de Queiroz na literatura nacional. Graciliano Ramos, após ler O quinze em 1933, confessou mais tarde:

“Durante muito tempo ficou-me a ideia idiota de que ela era homem, tão forte estava em mim o preconceito que excluía as mulheres da literatura.” 

Vinculada brevemente ao Partido Comunista, Rachel rompeu sua filiação quando a direção do Partido não aprovou os originais de seu segundo livro, João Miguel. Eles exigiam que ela reescrevesse a história com alterações do tipo "ao invés de ser o operário que matava o burguês, tinha que ser o burguês que matava o operário" entre outras [1]. Em entrevista Rachel fala sobre o rompimento, queixando-se da estreiteza mental e escravidão intelectual do partido

“essa estreiteza, essa escravidão (...) ou você era escravo deles ou eles não te admitiam”.

14 de jul de 2015

​Coração (Maria Thereza Noronha)



Imagem: Lancastria 


​Morreu de faca no peito
quanto o coração só lhe falava
de amor.
A faca se abriu em chaga
vermelha e meio com jeito
de flor.


Morreu de febre no leito
quando o coração já lhe falhava
no peito.
Deixou órfãos e viúva.
Partiu num dia de chuva
sem palavras.


12 de jul de 2015

Esquadros (Adriana Calcanhoto)




Eu ando pelo mundo
Prestando atenção em cores
Que eu não sei o nome
Cores de Almodóvar
Cores de Frida Kahlo
Cores!

Passeio pelo escuro
Eu presto muita atenção
No que meu irmão ouve
E como uma segunda pele
Um calo, uma casca
Uma cápsula protetora
Ai, Eu quero chegar antes
Pra sinalizar
O estar de cada coisa
Filtrar seus graus

Eu ando pelo mundo
Divertindo gente
Chorando ao telefone
E vendo doer a fome
Nos meninos que têm fome

29 de jun de 2015

LEMBRANÇA DE MORRER (Álvares de Azevedo)

Lembrança de morrer
Álvares de Azevedo por Nilo

No more! O never more!
SHELLEY

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto o poento caminheiro...
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro...

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade — é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

27 de jun de 2015

Resíduo (Drummond)

Drummond e filha


De tudo ficou um pouco
Do meu medo. Do teu asco.
Dos gritos gagos. Da rosa
ficou um pouco.

Ficou um pouco de luz
captada no chapéu.
Nos olhos do rufião
de ternura ficou um pouco
(muito pouco).

Pouco ficou deste pó
de que teu branco sapato
se cobriu. Ficaram poucas
roupas, poucos véus rotos
pouco, pouco, muito pouco.

Mas de tudo fica um pouco.
Da ponte bombardeada,
de duas folhas de grama,
do maço
― vazio ― de cigarros, ficou um pouco.

Pois de tudo fica um pouco.
Fica um pouco de teu queixo
no queixo de tua filha.
De teu áspero silêncio
um pouco ficou, um pouco
nos muros zangados,
nas folhas, mudas, que sobem.

16 de jun de 2015

BILHETE (Mario Quintana)

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, Amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...

Bilhete Mario Quintana
Pintura de Maria Kitano 


Mais poemas de Mário Quintana ..

O poeta

O descobridor

A viagem

O silêncio

Alma minha gentil, que te partiste (Luís Vaz de Camões)

 Ilustração de Danuta Wojciechowska.
"Nomes com História: Luís de Camões"

Alma minha gentil, que te partiste
tão cedo desta vida descontente,
repousa lá no Céu eternamente,
e viva eu cá na terra sempre triste.

9 de jun de 2015

COMPARAÇÃO (Euclides da Cunha)

Estrelas são mundos

"Eu sou fraca e pequena..."
Tu me disseste um dia.
E em teu lábio sorria
Uma dor tão serena,

Que em mim se refletia
Amargamente amena,
A encantadora pena
Quem em teus olhos fulgia.

Mas esta mágoa, o tê-la
É um engano profundo.
Faze por esquecê-la:
Dos céus azuis ao fundo
É bem pequena a estrela...
E no entretanto _ é um mundo!



Poema extraído de Ondas e Outros Poemas Esparsos, de Euclides da Cunha. Obra disponível para download em Domínio Público EC.


Veja também outros poemas de Euclides da Cunha ...

Página vazia

Há nos teus olhos escuros

3 de jun de 2015

Mascarados (Cora Coralina)

Saiu o Semeador a semear
Semeou o dia todo
e a noite o apanhou ainda
com as mãos cheias de sementes.
Ele semeava tranqüilo
sem pensar na colheita
porque muito tinha colhido
do que outros semearam.
Jovem, seja você esse semeador
Semeia com otimismo
Semeia com idealismo
as sementes vivas
da Paz e da Justiça.

Cora Coralina Mascarados
Cora Coralina por Lézio Júnior


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31 de mai de 2015

Sinto que o mês presente me assassina


Mário Faustino
Foto: Cia. de Bolso


Sinto que o mês presente me assassina,
As aves atuais nasceram mudas
E o tempo na verdade tem domínio
sobre homens nus ao sul das luas curvas.
Sinto que o mês presente me assassina,
Corro despido atrás de um cristo preso,
Cavalheiro gentil que me abomina
E atrai-me ao despudor da luz esquerda
Ao beco de agonia onde me espreita
A morte espacial que me ilumina.
Sinto que o mês presente me assassina

24 de mai de 2015

A ponto de partir (Ana Cristina Cesar)

A ponto de
partir, já sei
que nossos olhos
sorriam para sempre
na distância.
Parece pouco?
Chão de sal grosso, e ouro que se racha.
A ponto de partir, já sei que nossos olhos sorriem na distância.
Lentes escuríssimas sob os pilotis.




Ana Cristina Cesar





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Tu Queres Sono: Despe-te dos Ruídos

​Contagem regressiva

21 de mai de 2015

Vita nuova (Olavo Bilac)

Vita Nouva - Olavo Bilac
The Kiss, por Gustav Klimt, 1907-1908

Se ao mesmo gozo antigo me convidas,
Com esses mesmos olhos abrasados,
Mata a recordação das horas idas,
Das horas que vivemos apartados!

Não me fales das lágrimas perdidas,
Não me fales dos beijos dissipados!
Há numa vida humana cem mil vidas,
Cabem num coração cem mil pecados!

Das utopias

Se as coisas são inatingíveis...ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A mágica presença das estrelas

(Mário Quintana)

Poema extraído do livro Espelho Mágico de Mário Quintana, publicado em 1951.

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Capa do livro Espelho Mágico 

Leia outros poemas de Mário Quintana ..


Eu ouço a música

O pobre Poema

Se eu fosse um padre

O silêncio

15 de mai de 2015

Congresso Internacional do Medo (Drummond)

Fear, Oil painting
Pintura de Ljuba Adanja 2002


Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.


12 de mai de 2015

DESAFIO : Mulheres na Academia Brasileira de Letras

A Academia Brasileira de Letras (ABL) é a instituição cultural máxima para a divulgação da língua e da cultura brasileira. Ela foi fundada em 1897 por iniciativa de homens geniais, como o escritor Machado de Assis. Infelizmente até hoje, mesmo num país cuja maioria da população é feminina, cujas mulheres têm mais educação formal que os homens e são leitoras mais vorazes, a ABL continua um privilégio quase exclusivamente masculino.

A ABL é constituída por 40 membros, chamados imortais, e 10 correspondentes estrangeiros. Ao todo, 288 intelectuais já foram consagrados como imortais, desses apenas 8 eram mulheres, ou seja, cerca de 3% dos membros, num país em que elas são 51,3% da população.

Essas escritoras são:

1. Ana Maria Machado;
2. Dinah Silveira de Queiroz;
3. Nélida Piñon;
4. Rachel de Queiroz (apesar do mesmo sobrenome não é parente da Dinah);
5. Zélia Gattai;
6. Lygia Fagundes Telles;
7. Rosiska Darcy de Oliveira;
8. Cleonice Bernardinelli.

Sim, se você sentiu falta de Clarice Lispector, Cecília Meireles, Hilda Hilts e algumas outras grandes escritoras, por favor, compartilhe com a gente.

Em homenagem a estas heroínas, nós do Blog Literatura Brasileira e do Blog 500 Livros estamos lançando o Desafio Mulheres da ABL, que é ler pelo menos um livro de cada escritora e fazer uma postagem sobre ela e sua obra.

Aceita o desafio também?

Autor: Isotilia Melo


Escritoras, Mulheres na ABL
1. Ana M. Machado 2. Cleonice Bernardinelli3. Dinah S. de Queiroz; 4. Lygia Fagundes Telles; 5. Nélida Piñon ; 6. Rachel de Queiroz; 7. Rosiska Darcy de Oliveira; 8. Zélia Gattai.

















***** Confira os livros que já foram lidos: (sessão a ser atualizada a cada nova etapa concluída)


O Quinze - Rachel de Queiroz

O Baile de Máscaras - Rosiska Darcy de Oliveira

Tropical Sol da Liberdade - Ana Maria Machado

Memorial de Maria Moura - Rachel de Queiroz

O pão de cada dia - Nélida Piñon

Ciranda de Pedra - Lygia Fagundes Telles

Anarquistas graças a Deus! - Zélia Gattai

Daniela e os Invasores - Dinah Silveira de Queiroz


6 de mai de 2015

“— Vais encontrar o mundo, disse-me meu pai, à porta do Ateneu. “— Coragem para a luta.”

O Ateneu é o romance mais conhecido do escritor Raul Pompeia (1863-1895). É uma prosa poética, contada em primeira pessoa pelo menino Sérgio, sobre sua a traumática formação dentro de um internato privado no Rio de Janeiro (o Ateneu). 

A sociedade da época reprimia afetividade e ternura do homens (não tão distante dos dias atuais) de forma que as relações entre homens e mulheres e mesmo as relações entre homens era bastante prejudicada. Se de algum modo o homem vivenciar ternura por outro homem, o mesmo será então tachado de homossexual, ''mariquinhas''. O que, na época, era uma grande desonra pública. 

Em o Ateneu, Sérgio descreve o amigo Egbert com bastante afetividade, de uma maneira fraternal. Como ilustrado no seguinte trecho do livro:

❝Egbert merecia-me ternuras de irmão mais velho. Tinha o rosto irregular, parecia-me formoso. De origem inglesa, tinha os cabelos castanhos entremeados de louro, uma alteração exótica na pronúncia, olhos azuis de estrias cinzentas, oblíquos, pálpebras negligentes, quase a fechar, que se rasgavam, entretanto, a momentos de conversa, em desenho gracioso e largo. Vizinhos ao dormitório, eu, deitado, esperava que ele dormisse para vê-lo dormir e acordava mais cedo para vê-lo acordar. Tudo que nos pertencia, era comum. Eu por mim positivamente adorava-o e o julgava perfeito. Era elegante, destro, trabalhador, generoso. Eu admirava-o, desde o coração, até a cor da pele e à correção das formas.❞

A obra foi publicada no jornal "Gazeta de Notícias" em 1888. Raul Pompeia foi um jornalismo politico defensor das causas abolicionista e republicana. Envolveu-se em várias disputas políticas e viu sua obra voltar-se contra ele mesmo pelas suspeitas de sua sexualidade. Suicidou-se com um tiro no coração em 1895 deixando um bilhete com a seguinte nota de despedidas:



3 de mai de 2015

Parte IV: Visconde de Taunay, um escritor feminista!

Também se destacam as seguintes obras de Taunay: Ouro Sobre Azul (1875), Manuscritos de uma Mulher (1873), O Encilhamento: Cenas contemporâneas da Bolsa do Rio de Janeiro em 1890,1891 e 1892 (1893).

 Ouro sobre Azul é um romance ambientado no Rio de Janeiro e dirigido ao grande público. A expressão “Mas isso é ouro sobre azul” significa “mas isso é excelente, ótimo, melhor impossível”. Descobri lendo o livro, depois ouvi um colega português usando-a no meu trabalho. Imagino que fosse uma expressão comum na época. O interessante é que uma das personagens principais é uma viúva independente (a única forma de uma mulher ser independente na época!) e ela se dá muito bem em toda história. Subentende-se uma admiração do autor pela figura da mulher independente.

Eu me orgulho de ter a primeira edição do livro Manuscritos de uma Mulher. Ainda não li, pretendo ler este ano e postar no blog. Mas os primeiros dois parágrafos do livro já dizem muito:

Hoje estou casada e irremediavelmente infeliz escrevo estas páginas. Cerro os olhos ao futuro e volvo-os para o passado a fim de me esquecer do presente.”
 “Para mim não pode haver mais alegrias, esperanças, nem sonhos. Uma só palavra resume a minha imensa desgraça – casada – casada com um ente que por acaso encontrei e com quem a sina me ligou; casada e não com o homem para quem Deus me havia destinado.

29 de abr de 2015

Que este amor não me cegue nem me siga

Poetisa Hilda Hilst, Literatura Brasileira
Hilda Hilst
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua do estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.

Poema Preto (Tomaz Amorim Izabel)

pixabay




I

Ó mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Guiné-Bissau!

As tristezas, as misérias, o horror
ainda não indenizados,
perpetrados por malditos reis,
brancos, pretos, pardos.
Sequestrados de língua, história, paisagem,
fé, poemas, vizinhos, idades,
santos, deuses, entidades -
povos roubados em seus séculos de
digno viver e majestade.

Ó mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Guiné-Bissau!

27 de abr de 2015

Parte II: Visconde de Taunay, um escritor feminista!

 Uma das capas do romance que teve mais de 60 edições até nossos dias.
 Uma das capas do romance que teve mais de 60 edições até nossos dias.

Inocência, principal obra de Visconde de Taunay, é um romance que se passa no interior do Mato Grosso do Sul, possivelmente onde hoje existe uma cidade homônima.

O protagonista é o jovem Cirino, que se passa por farmacêutico (ele tem um livro de farmacologia para basear suas receitas!) e sai pelo sertão tratando todo tipo de doentes. Até que ele chega à fazenda de Pereira, um velho sertanejo, que só tem uma filha, chamada Inocência.

Seguindo a tradição, que é duramente criticada por Taunay, Inocência não sabe ler, nem escrever. Ela fica o dia todo trancada dentro de um cômodo, para ficar isolada de qualquer contato com homens estranhos até seu noivo prometido, Manecão, volte. 

24 de abr de 2015

❝É menina❞

É menina❞ é texto do Livro Put some farofa de Gregório Duvivier. Trata-se de uma crônica sobre coisas que meninas tem que ouvir por serem meninas.

Gregório Duvivier  ganhou muito destaque na mídia devido aos seus trabalhos no canal do YouTube chamado Porta do Fundos e por usas crônicas publicadas na Folha de São Paulo. Porém além de ator, roteirista e comediante, é também cronista e poeta.

Na opinião de Luiz Fernando Veríssimo:
Nem todo bom humorista é um bom cômico, nem todo bom comediante é um bom ator e nem todo bom roteirista é um bom cronista. O Gregorio Duvivier é tudo isso ao mesmo tempo e vice-versa. É econômico: você paga por um Duvivier e leva seis.
- Luis Fernando Verissimo

Ouça a crônica É menina na voz de Gregório Duvivier, (ouça com a mente aberta!)


18 de mar de 2015

Hilda Hilst - Ode Descontínua e Remota para Flauta e Oboé

Hilda Hilst foi uma escritora nascida em Jaú, interior de São Paulo. Ela foi uma artista com qualidades excepcionais em todos os gêneros literários que se propôs: poesia, teatro e ficção.

Muitas de suas poesias foram musicadas por cantores nacionalmente conhecidos, como Zeca Baleiro, Zélia Ducan e Almeida Prado (seu primo). Entre seus trabalhos, destaca-se o álbum "Ode Descontínua para Flauta e Oboé - de Ariana para Dionísio", cantado por vários artistas.

Seguem os versos das Canções I e II:

I
É bom que seja assim, Dionisio, que não venhas.
Voz e vento apenas
Das coisas do lá fora
E sozinha supor
Que se estivesses dentro
Essa voz importante e esse vento
Das ramagens de fora
Eu jamais ouviria. Atento
Meu ouvido escutaria
O sumo do teu canto. Que não venhas, Dionísio.
Porque é melhor sonhar tua rudeza
E sorver reconquista a cada noite
Pensando: amanhã sim, virá.
E o tempo de amanhã será riqueza:
A cada noite, eu Ariana, preparando
Aroma e corpo. E o verso a cada noite
Se fazendo de tua sábia ausência.

20 de jan de 2015

Suíte do pescador (Dorival Caymmi)



Minha jangada vai sair pro mar
Vou trabalhar, meu bem querer
Se Deus quiser quando eu voltar do mar
Um peixe bom eu vou trazer
Meus companheiros também vão voltar
E a Deus do céu vamos agradecer

Adeus, amor,
por favor não se esqueça de mim.
vou rezar prá ter bom tempo,
meu nêgo,
prá não ter tempo ruim.
vou fazer sua caminha macia,
perfumada de alecrim.



Ouça também ...  ♫ ♩ ♫   ♬ ♪ ♫

​Veja bem meu bem​

Outra vez

Falando de amor

​Metade


1 de jan de 2015

AULA DE PORTUGUÊS (DRUMMOND)

Drummond

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender.

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?